Tesouro faz maior venda de prefixados desde 2020, embalado por cenário eleitoral
O mercado absorveu nesta quinta-feira (8) R$ 33,3 bilhões em títulos prefixados vendidos pelo Tesouro Nacional, volume que não era alcançado desde dezembro de 2020.
A oferta somava 42 milhões de títulos, sendo 35 milhões de LTNs e 7 milhões de NTN-Fs.
Todas as LTNs foram vendidas, enquanto cerca de 1,17 milhão de NTN-Fs ficaram sem compradores, o que levou o total colocado a 40,8 milhões de papéis.
Um volume financeiro maior foi visto pela última vez em 10 de dezembro de 2020, quando o Tesouro vendeu R$ 44,3 bilhões em prefixados.
O tamanho do leilão em reais, porém, não se refletiu na mesma proporção em risco.
Pelo DV01, indicador que mede a sensibilidade dos títulos a variações nas taxas, a operação adicionou US$ 1,331 milhão ao mercado, o terceiro maior valor do ano, abaixo dos leilões de 29 de janeiro (US$ 1,44 milhão) e de 3 de setembro (US$ 1,35 milhão).
Resultado do leilão de prefixados do Tesouro (8/10/2026): Título Vencimento Oferta (títulos) Vendidos (títulos) Taxa (% a.a.) Financeiro (R$ bi) LTN 01/01/2028 20.000.000 20.000.000 12,547 17,32 LTN 01/07/2029 13.000.000 13.000.000 12,515 9,46 LTN 01/01/2032 2.000.000 2.000.000 12,708 1,07 NTN-F 01/01/2031 5.000.000 4.178.100 12,617 3,97 NTN-F 01/01/2033 500.000 150.000 12,783 0,14 NTN-F 01/01/2037 1.500.000 1.500.000 12,802 1,32 Total 42.000.000 40.828.100 33,28 Fonte: Tesouro Nacional.
Liquidação em 9/10/2026 A explicação está no perfil da oferta.
As LTNs com vencimento em janeiro de 2028 e julho de 2029, que adicionam menos risco por terem prazo mais curto, responderam por quase 80% dos títulos ofertados.
Entre as NTN-Fs, o lote de janeiro de 2031, vencimento mais próximo dessa classe, concentrou mais de dois terços das vendas, enquanto o lote de 2033 teve menos de um terço dos papéis colocados.
Segundo participantes do mercado, essa composição facilitou a absorção dos lotes sem pressionar a curva.
As taxas dos contratos de DI cederam com força depois da publicação dos editais e voltaram a recuar após o resultado do leilão.
Para Sergio Goldenstein, ex-chefe do departamento de mercado aberto do Banco Central e sócio-fundador da consultoria Eytse Estratégia, o aumento da oferta mostra que o Tesouro passou a confiar mais na capacidade do mercado de absorver prefixados, em um ambiente de maior apetite por risco e prêmios de juros mais baixos.
Ele lembra que a taxa do DI para janeiro de 2032 caiu de 14,07% no ajuste de 2 de outubro para 12,52% durante a sessão desta quinta, recuo de 155 pontos-base em poucos pregões.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.infomoney.com.br — o conteúdo pertence a InfoMoney.