No alto de uma montanha da Turquia permanecem enormes cabeças de pedra com mais de 2.000 anos, originalmente colocadas ao lado de estátuas monumentais cujo propósito político e religioso ainda desperta perguntas entre pesquisadores
Antíoco I transformou o topo de uma montanha em um enorme santuário funerário cercado por deuses, ancestrais e esculturas colossais
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR A mais de 2.100 metros de altitude, enormes rostos de pedra observam as montanhas do sudeste da Turquia. O Monte Nemrut abriga o santuário funerário construído por Antíoco I de Comagena no século I a.C., reunindo estátuas colossais, altares e um gigantesco monte artificial que deveria eternizar o rei junto aos deuses.
Antíoco I governou o pequeno Reino de Comagena entre 69 e 34 a.C., numa região situada entre grandes influências gregas e persas. No topo da montanha, mandou construir um hierothesion , expressão usada para um complexo que combinava templo, monumento funerário e espaço dedicado aos deuses.
As enormes figuras representavam o próprio Antíoco ao lado de divindades que misturavam tradições diferentes. Zeus era associado a Oromasdes, ligado ao persa Ahura Mazda, enquanto Héracles aparecia combinado a uma divindade iraniana. A mensagem também era política: o governante apresentava sua dinastia como herdeira simultaneamente dos mundos grego e persa.
As cabeças atualmente espalhadas pelo chão pertenciam a enormes estátuas sentadas instaladas nas plataformas superiores das terrazas leste e oeste. Cinco figuras monumentais ocupavam cada conjunto principal, acompanhadas por esculturas protetoras de leões e águias. Alguns blocos utilizados no complexo chegavam a aproximadamente nove toneladas.
Este vídeo da UNESCO/NHK apresenta diretamente o sítio arqueológico do Monte Nemrut, mostrando as cabeças monumentais, o túmulo artificial e as terrazas construídas ao redor do complexo de Antíoco I.
A UNESCO registra que as cabeças das esculturas caíram das figuras monumentais e hoje permanecem nos níveis inferiores das terrazas. Não existe evidência de que todas tenham sido deliberadamente decapitadas em um único episódio. Séculos de terremotos, exposição climática e deterioração estrutural oferecem uma explicação mais coerente para a situação atual.
As esculturas enfrentam condições particularmente severas no topo da montanha, incluindo ciclos térmicos, neve, umidade e congelamento. Estudos de conservação identificaram também deterioração dos arenitos ligada a minerais argilosos, expansão térmica e outros processos que continuam afetando as superfícies.
Antíoco não estava simplesmente construindo uma tumba. O complexo projetava sua autoridade para uma escala quase divina, associando o rei diretamente ao panteão que ele promovia e apresentando sua genealogia como ligação entre grandes dinastias orientais e ocidentais.
Uma das estelas mais famosas mostra um leão acompanhado por símbolos astronômicos e é frequentemente chamada de “horóscopo do leão”. A interpretação tradicional relaciona a composição a acontecimentos importantes do reinado, embora detalhes precisos de sua datação e significado continuem discutidos.
No centro do conjunto está um enorme monte artificial formado por pequenos fragmentos de pedra, com aproximadamente 145 metros de diâmetro e 50 metros de altura.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.