Netflix na Copa: Uma nova força na mesa dos direitos esportivos
A Netflix comprou os direitos de transmissão da Copa do Mundo Feminina de 2027 para EUA e Canadá, e da Copa Masculina de 2030 para Espanha e Andorra. A notícia pode parecer apenas mais um acordo de distribuição esportiva, mas representa algo maior: a consolidação de uma nova força na disputa pelos direitos dos principais eventos do esporte mundial. Uma empresa que construiu seu negócio com filmes e séries “on demand’ passa a ocupar um espaço importante também dentro do conteúdo esportivo ao vivo. E, de quebra, a Fifa ainda ganha como parceira uma plataforma com uma audiência global gigantesca.
A novidade não está no fato de uma plataforma de streaming transmitir esporte ao vivo. Amazon, Apple e YouTube já disputam direitos relevantes há anos. O que chama a atenção é a evolução da própria Netflix. Nos últimos anos, a empresa ampliou sua presença em eventos da WWE, na NFL, na MLB e no boxe. Com a Copa Feminina de 2027 e a Masculina de 2030, a companhia adiciona ao portfólio dois dos eventos mais reconhecidos e valiosos do calendário esportivo global. E, assim, a Netflix passa a ser considerada também na mesa dos grandes compradores de direitos esportivos.
Para a Fifa, a decisão pode representar um movimento acertado. A Copa do Mundo é um produto que já possui reconhecimento mundial, mas isso não significa que sua distribuição não precise crescer. Ter uma plataforma com a escala da Netflix como parceira abre possibilidades de promoção, produção de conteúdo e aproximação com públicos que consomem entretenimento de maneira cada vez mais digital.
Apesar dos alcances dos contratos serem regionais, a relevância do movimento está na combinação entre uma propriedade esportiva de alcance mundial e uma plataforma que vem adquirindo direitos em diferentes mercados, modalidades e formatos. A Netflix não precisa transmitir todas as competições nem estar presente em todos os países para se tornar uma interlocutora importante nas negociações de direitos esportivos. A plataforma precisa demonstrar apenas que consegue transformar eventos selecionados em audiência, relevância cultural e valor comercial.
As plataformas globais de entretenimento já estavam sentadas à mesa dos direitos esportivos, disputando audiência, assinantes e relevância cultural. Agora, a chegada da Netflix à Copa do Mundo amplia essa disputa e reforça o valor estratégico de um evento capaz de mobilizar bilhões de pessoas.
Para a Fifa, é uma oportunidade de explorar novas formas de distribuição e ampliar o potencial comercial de seu principal produto. Já para o mercado, fica a pergunta: quem será o próximo grande player global a entrar nessa disputa?
O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte
André Stepan é executivo de marketing esportivo e especialista em marketing digital, estratégia e novos negócios, além de atuar na área acadêmica como professor
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em maquinadoesporte.com.br — o conteúdo pertence a Máquina do Esporte.