Saúde é investimento estratégico
A saúde costuma ser tratada no debate público como um setor que consome recursos, pressiona orçamentos e exige expansão contínua de gastos.
Essa visão, embora se apoie em dados reais, é limitada, na medida em que deixa de considerar o papel real que o setor desempenha no desenvolvimento econômico, ao impulsionar produtividade, competitividade, inovação, geração de empregos e capacidade de resposta a crises.
Saúde, na verdade, não é despesa, mas investimento estratégico.
Aquilo que se gasta com doenças evitáveis nos ajuda a ver o problema por esse ângulo.
No Brasil, no ano de 2025, segundo registros do Ministério da Previdência Social, cerca de 4 milhões de brasileiros pediram afastamento do trabalho por motivo de saúde.
Chama a atenção que esse número tenha ultrapassado o dobro do registrado em 2021.
Desde a pandemia, o absenteísmo por doenças crônicas e, sobretudo, por transtornos mentais cresceu de forma acelerada.
No ano passado, mais de 546 mil brasileiros foram afastados do trabalho por depressão, ansiedade, estresse crônico e burnout.
Esse cenário, além de afetar a qualidade de vida dos próprios trabalhadores, impacta a saúde das empresas.
Tanto o absenteísmo, que exige gastos com substituições, como o presenteísmo, que é o baixo rendimento decorrente de doenças e esgotamento, trazem prejuízos ao negócio.
Cada dia de trabalho perdido ou de trabalho ineficiente compromete a produção, a competitividade e a capacidade de inovação das organizações.
Por esse motivo, a prevenção da saúde deve ser tratada também como um ativo estratégico nas organizações.
Além do impacto direto nas empresas, esse quadro estressa o sistema previdenciário, que, em 2025, gastou R$ 38 bilhões com auxílios por incapacidade temporária.
Uma dor nas costas crônica ou uma depressão severa, que poderiam ser tratadas precocemente, acabam evoluindo para quadros graves e incapacitantes.
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