“Deixe o mercado de títulos falar”: Druckenmiller dá puxão de orelha em Bessent
O megainvestidor Stanley Druckenmiller afirmou que a decisão do Tesouro dos Estados Unidos de dobrar o tamanho das recompras de títulos longos configura tentativa de administrar o preço dos juros, e não de dar liquidez ao mercado.
“Deixe mercado de títulos falar”, aconselhou o fundador da Duquesne family office, em artigo publicado na segunda-feira (24) no Wall Street Journal .
O Tesouro americano comunicou em 19 de agosto que ampliaria as recompras de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões por operação, com foco no trecho de 10 a 30 anos da curva e execução entre 9 de setembro e 4 de novembro.
O anúncio veio depois de o rendimento do título de 30 anos alcançar o maior nível em 19 anos.
Os juros recuaram em minutos após o comunicado, mas já na tarde seguinte voltaram a patamares acima dos observados antes da medida.
Para Druckenmiller, a leitura do mercado foi rápida e acertada.
“Isso não era gestão de liquidez, era gestão de preço”, escreveu o gestor.
Ele sustenta que o próprio comunicado do Tesouro enfraquece a justificativa apresentada, para supostamente dar suporte de liquidez em trechos da curva com apoio consistente e forte dos participantes de mercado.
Ele lembra que não houve leilões fracassados, travamento de balanço de dealers nem desmontagem forçada de posições, situações que marcaram o estresse dos Treasuries em março de 2020 e o dos gilts britânicos em setembro de 2022.
Leia também Irã promete retaliar após EUA ampliarem sanções EUA anunciou novas sanções contra 60 pessoas físicas, entidades e embarcações Ouro fecha em alta e atinge maior valor desde maio com Oriente Médio e Treasuries Movimento do metal precioso ocorre enquanto os mercados aguardam índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) O que o mercado estava precificando Druckenmiller, que atua há cinco décadas nos mercados globais, elenca os dados que, segundo ele, estavam sendo incorporados pela curva americana no momento da intervenção.
A inflação corre entre 3% e 4% e está acima da meta do Federal Reserve desde 2021, enquanto a taxa de desemprego é de 4,1%, nível compatível com pleno emprego.
O déficit fiscal está próximo de 6% do PIB, combinação que, conforme o texto, os Estados Unidos nunca haviam produzido em tempos de paz com pleno emprego.
A dívida nacional total superou US$ 40 trilhões na mesma semana da intervenção, e a despesa líquida de juros deve passar de US$ 1,1 trilhão neste ano fiscal, valor superior ao orçamento de defesa.
Mesmo após a desvalorização dos títulos no verão do Hemisfério Norte, o juro do papel de 10 anos segue igual ou inferior à taxa de crescimento nominal da economia, o que o gestor considera uma configuração acomodatícia, e não restritiva, das condições financeiras.
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