Lula na Globo não dá motivos para mitigar desconfiança fiscal
O presidente Lula (PT) afirmou em entrevista na TV Globo nesta quinta-feira (27) que, se há algo que baliza sua vida, esse algo “chama-se responsabilidade fiscal ”.
Apesar disso, o candidato à reeleição não deu elementos suficientes para vencer as desconfianças sobre o tema.
O discurso do petista durante a entrevista se distanciou tanto de um compromisso firme nesse sentido que acabou dando um passo atrás em relação ao que está escrito até mesmo em seu plano de governo – que promete uma contenção de gastos.
Se abordar o ajuste fiscal não atrai votos durante a campanha – e, no fim das contas, a postura não surpreende –, por outro lado, a postura de Lula acaba mantendo dúvidas neste momento sobre qual será o real compromisso do petista com o assunto em um novo mandato.
Conheça o JOTA PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transparência e previsibilidade para empresas As incertezas se acumularam ainda mais quando Lula respondeu sobre um eventual corte de gastos obrigatórios.
Nem uma política de reavaliação de despesas foi mencionada.
“O meu estabelecimento é o seguinte: é fazer esse país crescer”, disse.
Em resumo, o candidato declarou que o problema maior do indicador dívida/PIB é o denominador.
“Você acha que o Brasil tá com problema de dívida pública porque nós chegamos a 80%? Sabe por quê? Porque nós estamos há mais de 10 anos sem crescer.
O PIB só voltou a crescer acima de 2% quando eu voltei à Presidência da República”, disse.
Em vez de falar sobre ajuste, ele exaltou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), iniciativa de dispêndios públicos voltada principalmente a obras de infraestrutura, e continuou dizendo que, em um Lula 4, pretende “fazer uma revolução tecnológica” e apostar nas terras raras.
As falas sobre as contas públicas também contrastam com o discurso do ministro Dario Durigan (Fazenda), que tem buscado tranquilizar o mercado soltando pílulas de propostas fiscais.
A equipe econômica até já conseguiu emplacar uma contenção de gastos obrigatórios em saúde.
Mas ainda é pouco para um mercado preocupado com uma possível crise cambial e que aguarda um aceno dos próprios candidatos sobre o comprometimento com o ajuste, em que ritmo ele será implementado e que áreas serão atacadas.
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