Entenda por que a “economia da atenção” eleva os níveis de estresse
Criada há mais de 50 anos, a chamada economia da atenção é um conceito que ajuda a entender por que nossa capacidade de foco se tornou um dos recursos mais disputados na era digital.
O termo desenvolvido por Herbert Simon, vencedor do Prêmio Nobel de Economia, parte da ideia de que vivemos atualmente um excesso de informação superior à nossa capacidade de absorvê-la.
De acordo com a explicação do analista, quando a demanda por atenção supera a oferta, esse recurso se torna extremamente valioso.
É por isso que empresas e plataformas digitais competem intensamente pela atenção dos usuários — fenômeno que impulsionou o crescimento expressivo do marketing digital nos últimos anos.
Leia Mais Mulheres representam quase 65% dos afastamentos por saúde mental; entenda 'O câncer levou tanta coisa... mas também nos deu algumas coisas' "Influenciadores da solidão" não têm amigos, mas dizem ser felizes O tipo de foco mais cobiçado pelas plataformas, porém, não é o voluntário, aquele em que a pessoa escolhe conscientemente se concentrar em algo, como ao abrir um livro.
O objetivo central das grandes empresas é reter a atenção involuntária: aquela que é capturada de forma espontânea, como quando um vídeo surge inesperadamente na tela do celular e consegue prender o olhar do usuário.
Tipos de atenção e seus efeitos A explicação de Simon também distingue tipos de concentração — sustentada e alternada — relevantes para o cotidiano e como a mente tende a se comportar, baseada na forma que as informações são consumidas.
A atenção sustentada é considerada a mais benéfica: trata-se da capacidade de permanecer concentrado em uma única atividade por um período prolongado, o que favorece a absorção real de conhecimento.
No entanto, esse tipo de concentração está cada vez mais difícil de ser mantida, o que prejudica a qualidade de vida de muitos usuários.
Em contrapartida, a atenção alternada ou dividida — aquela em que a pessoa fica passando rapidamente de um conteúdo para outro — é descrita como problemática.
Do ponto de vista da neurociência, não é possível prestar atenção em duas atividades simultaneamente.
Ao alternar entre tarefas, o cérebro precisa “apagar” as informações de uma atividade para registrar as da seguinte, e, quando essa troca ocorre com frequência excessiva, esse processo fica comprometido e a mente cada vez mais desgastada.
O resultado é uma queda significativa na qualidade dos conteúdos consumidos pelos usuários e um aumento expressivo no nível de estresse e exaustão mental.
Festas sem celular expõem dificuldade de conexão fora das telas Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação.
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