Justiça bloqueia bens de ex-presidente da Apex Partners por movimentação atípica de R$ 5 milhões
A Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória determinou o bloqueio dos bens de Fernando Cinelli, ex-presidente da Apex Partners, além da quebra do seu sigilo bancário.
A decisão, divulgada nesta terça-feira (18), ocorre em meio ao processo no qual ele é acusado de "gestão temerária e má-fé" pela própria companhia.
Cinelli foi afastado em 6 de agosto após outros sócios da Apex Partners constatarem "inconsistências financeiras" em apurações internas.
Na decisão, o juiz Marcos Pereira Sanches registra que os documentos apresentados demonstram transferências de recursos das contas da ABM Partnership Investimentos e Participações para a conta bancária pessoal de Cinelli, em valor estimado de R$ 5 milhões.
Não foi identificado um motivo lícito para essas transferências.
A decisão também determinou medidas de preservação documental e entrega de informações por parte da nova diretoria da Apex Partners.
A apuração interna preliminar da Apex identificou outras movimentações que, somadas, superam R$ 23 milhões e tiveram como destino contas de titularidade do ex-presidente, segundo a empresa divulgou em nota.
O montante permanece sob análise e poderá ser atualizado à medida que avançarem os trabalhos da auditoria independente, disse.
A empresa afirmou ainda que não foi identificada relação entre essas transferências e os recursos diretamente aportados por investidores em projetos imobiliários ou fundos de investimento, até o momento.
Em nota, a assessoria de Fernando Antonio Kulnig Cinelli, fundador da Apex Partners, afirmou que ele está dedicado e comprometido a contribuir da melhor forma para a preservação da companhia, seus investidores e acionistas.
"Com o gesto, ele demonstra sua disposição em esclarecer todas as questões levantadas com total transparência e idoneidade", diz o comunicado.
Marcelo Murad, sócio sênior, assumiu a presidência interinamente.
A empresa disse que está contratando uma auditoria externa e que adotará medidas de responsabilização cível e criminal.
A Apex obteve liminar cautelar, de caráter preventivo, para proteger o patrimônio e a continuidade da empresa enquanto a auditoria não é concluída.
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