Por que uma decisão do Tesouro dos EUA mudou o humor dos ativos brasileiros?
Depois de onze sessões seguidas de perdas, a bolsa brasileira finalmente encontrou um pouco de espaço para respirar.
Desta vez, o alívio veio de fora, mais precisamente dos Estados Unidos, onde uma decisão do Tesouro americano mexeu com o mercado de títulos e rapidamente atravessou as fronteiras.
O governo americano anunciou que vai dobrar, para pelo menos US$ 4 bilhões por operação, o limite das recompras de títulos de longo prazo, numa tentativa de dar mais liquidez a uma parte do mercado que vinha sofrendo forte pressão.
O efeito foi imediato: os juros dos títulos americanos (Treasuries) recuaram, o dólar perdeu força e as bolsas ganharam fôlego.
Por aqui, os juros futuros acompanharam o movimento e ajudaram o Ibovespa a interromper a sequência de quedas.
Nesta quarta-feira (19), o Ibovespa subiu 0,9%, aos 167.830 pontos, acumulando alta de 0,5% na semana, mas ainda recua 5,7% em agosto.
No ano, a bolsa mantém ganho de 4,2%. .
O protagonista do dia foi uma operação que pode parecer distante da realidade de quem investe na B3: o Tesouro dos EUA decidiu aumentar o tamanho das recompras de títulos de longo prazo.
A partir de setembro, o limite máximo por operação nos papéis com vencimento entre 10 e 30 anos passará de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões.
A medida vale até 4 de novembro e, segundo o próprio Tesouro, tem como objetivo dar mais suporte à liquidez justamente na parte mais longa do mercado.
Traduzindo: o governo americano vai entrar como um comprador maior de títulos que vinham sofrendo forte pressão.
Quando aparece um comprador disposto a levar mais desses papéis, os preços tendem a subir.
E, como preço e rendimento caminham em sentidos opostos, os juros dos Treasuries caem.
Foi exatamente o que aconteceu.
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