A criatura pré-histórica que dispara um jato de ácido pelo corpo para afastar predadores
Aracnídeo sem ferrão produz uma secreção rica em ácido acético e consegue direcioná-la contra ameaças que chegam perto demais
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Ele parece um escorpião saído de outra era, mas o escorpião-vinagre não possui ferrão nem glândula de veneno. Quando ameaçado, esse aracnídeo recorre a uma defesa química incomum: lança pela parte traseira do corpo uma secreção concentrada em ácido acético, capaz de irritar olhos e mucosas de quem tentar atacá-lo.
Os animais da ordem Thelyphonida possuem grandes pedipalpos usados para capturar presas e um longo flagelo semelhante a um chicote na extremidade do abdômen. Apesar da aparência ameaçadora, não são escorpiões verdadeiros e não possuem o ferrão venenoso característico desses parentes aracnídeos.
Sua principal arma defensiva está em duas glândulas próximas à base desse flagelo. Quando o animal sofre contato ou ameaça próxima, consegue direcionar uma secreção química para trás e para os lados, atingindo o possível predador antes de tentar fugir ou retornar ao abrigo.
A secreção varia entre espécies, mas estudos com Mastigoproctus giganteus encontraram uma mistura dominada por ácidos orgânicos. Uma análise descreveu aproximadamente 26% de água e 74% de ácidos graxos de cadeia curta, principalmente ácido acético e ácido octanoico. Estudos clássicos também registraram secreções chegando a cerca de 84% de ácido acético em determinadas análises.
O vídeo abaixo, dedicado especificamente ao vinegaroon, mostra o animal utilizando sua defesa química quando ameaçado e explica por que o cheiro forte de ácido acético originou seu nome popular em inglês.
O nome vem justamente do cheiro da secreção. O ácido acético é o composto responsável pelo aroma característico do vinagre, embora a concentração presente na defesa de algumas espécies possa ser muito superior à encontrada no produto culinário comum.
Isso não significa, porém, que o animal carregue “vinagre puro” dentro do corpo. A secreção contém água e outros compostos, incluindo ácido octanoico em espécies estudadas. A American Arachnological Society confirma a presença de glândulas associadas a ácido acético e caprílico na base do flagelo desses aracnídeos.
O Mastigoproctus giganteus consegue direcionar sua secreção com boa precisão, especialmente porque costuma liberá-la quando a ameaça já está bastante próxima. Observações mostram predadores recuando, sacudindo a cabeça e tentando limpar o corpo depois de receber o spray.
Em humanos, o contato não costuma representar o mesmo perigo de um veneno de escorpião, mas pode provocar dor e irritação, principalmente nos olhos. Há inclusive registro de irritação cutânea mais intensa, portanto manipular esses animais deliberadamente não é recomendável.
O corpo dos grandes vinegaroons costuma ser menor do que isso. Mastigoproctus giganteus , uma das espécies mais conhecidas, geralmente apresenta cerca de 4 a 6 centímetros de comprimento corporal sem contar o longo flagelo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.