Indução de parto sem consentimento configura violência obstétrica
A violência obstétrica não se restringe a agressões físicas ou verbais.
A prática abrange também intervenções feitas sem consentimento da gestante, bem como a desconsideração da autonomia e das informações prestadas pela paciente.
Magnific Procedimento culminou em óbito neonatal e expôs gestante ao risco de morte Considerando esse entendimento, a 6ª Câmara Civil do Tribunal de Justiça de Santa Catarina manteve a condenação de uma entidade hospitalar ao pagamento de indenização por falhas na condução de um trabalho de parto que resultou em ruptura uterina e posterior óbito neonatal.
Por unanimidade, o órgão julgador rejeitou os embargos de declaração apresentados pela instituição, que buscava modificar o entendimento adotado anteriormente.
De acordo com os autos, a paciente já havia passado por uma cesariana e informou, ao ser admitida para o segundo parto, que seu obstetra anterior havia contraindicado uma nova tentativa de parto normal.
Ainda assim, houve indução ao trabalho de parto com ocitocina, sem registro de consentimento livre e esclarecido, em contexto de risco aumentado de ruptura uterina.
A perícia judicial concluiu que a utilização do medicamento elevou o risco da complicação e apontou imprudência na condução do caso.
Em primeira instância, a 4ª Vara Cível da Comarca de Blumenau (SC) condenou a instituição hospitalar e o médico obstetra a indenizar, de forma solidária, os pais do bebê, no total de R$ 300 mil — R$ 200 mil para a mãe e R$ 100 mil para o pai.
Os réus recorreram da decisão.
Fatores de risco Para a desembargadora Quitéria Tamanini Vieira, relatora do recurso, a informação fornecida pela gestante era suficiente para exigir cautela redobrada, investigação clínica adequada e esclarecimento sobre os riscos envolvidos.
A ausência de consentimento informado, especialmente diante do aumento do risco materno-fetal, foi considerada violação da autonomia da paciente .
A magistrada explicou que “a imprudência não foi extraída do simples emprego de medicamento admitido nos protocolos”.
“Resultou da associação entre a cesariana anterior, o alerta de contraindicação comunicado pela paciente, a falta de investigação suficiente, a manutenção da conduta expectante, a indução medicamentosa com o referido medicamento e a inexistência de consentimento informado sobre os riscos por ele acrescidos.” O voto também destacou que a ruptura uterina não poderia ser tratada, nas circunstâncias do caso, como acontecimento imprevisível ou inevitável.
Segundo a análise, os fatores de risco eram conhecidos e foram potencializados pela conduta adotada durante o trabalho de parto.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.conjur.com.br — o conteúdo pertence a Consultor Jurídico.