Jovem lançada sem corda: Justiça mantém quatro réus presos em SP
A Justiça de São Paulo manteve presos os quatro réus pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, 21, lançada sem corda durante um salto de rope jump em Limeira.
Os pedidos de revogação das prisões preventivas foram negados pelo juiz Guilherme Lopes Alves Lamas. A decisão, proferida na quarta-feira, alcança Evelyne dos Santos Gonçalves, Vitor de Freitas Gonçalves, Maicon Fernandes Cintra e Luis Felipe Feliciano Egoroff.
O juiz confirmou o recebimento da denúncia contra os quatro réus. Ele considerou que as acusações foram apresentadas de forma clara e que as divergências apontadas pelas defesas dependem das provas que ainda serão produzidas.
A primeira audiência do processo foi marcada para 17 de setembro, às 12h30. Testemunhas e réus poderão ser ouvidos antes de a Justiça decidir se existem elementos para levar o caso ao Tribunal do Júri.
O juiz apontou riscos à produção das provas, à aplicação da lei penal e à ordem pública. Segundo a decisão, após a morte, os acusados apagaram registros nas redes sociais relacionados às atividades do grupo, fugiram em direção a uma área de vegetação mesmo orientados a permanecer no local e trocaram de roupa antes da abordagem policial.
A existência de novos eventos anunciados pelo grupo também pesou contra a soltura. Para o magistrado, a divulgação de outros saltos indicava que os réus realizavam habitualmente uma atividade de risco.
Tornozeleira eletrônica e proibição de promover novos saltos foram consideradas insuficientes. O juiz afirmou que os eventos eram realizados sem uma empresa formalmente constituída e que não seria possível manter fiscalização permanente na ponte nem controlar atividades em outros locais de risco.
Condições pessoais favoráveis não foram consideradas suficientes para autorizar a liberdade. A decisão cita primariedade, residência fixa, emprego e existência de filhos menores e registra que pedidos liminares de soltura já haviam sido negados em dois habeas corpus.
Nos pedidos apresentados no processo, as defesas de Evelyne e Luis Felipe atribuíram um ao outro o comando do grupo responsável pelos saltos. O juiz classificou as versões como "imputações recíprocas" sobre quem seria o proprietário de fato da operação e afirmou que a divergência deverá ser esclarecida durante a produção das provas.
Procurada pelo UOL após a nova decisão, a defesa de Vitor informou que não irá se manifestar neste momento. A advogada Olga Thaynan Pereira Popoviche afirmou que a defesa falará "somente nos autos do processo".
As defesas de Evelyne, Maicon e Luis Felipe também foram procuradas para comentar a manutenção das prisões. O texto será atualizado em caso de manifestação.
A Justiça determinou que instituições financeiras forneçam informações sobre os pagamentos do evento. O Itaú deverá apresentar os dados de uma conta vinculada à chave Pix utilizada pelo grupo.
O Mercado Pago terá de identificar os titulares e entregar os extratos das máquinas de cartão usadas no evento. As duas instituições receberam prazo de dez dias para responder.
A decisão não esclarece a finalidade específica da medida.
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