Um dente de até três metros cresce reto apesar de girar por dentro, e cientistas finalmente enxergaram como o narval faz isso
Imagens 3D revelam como espirais opostas de dentina e cemento produzem o dente longo e reto característico do narval
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Um dente de até três metros de comprimento cresce completamente reto apesar de girar internamente ao longo de sua formação, e cientistas finalmente enxergaram, por meio de imagens 3D, como o narval consegue produzir essa estrutura aparentemente contraditória.
Um dente que gira internamente durante seu crescimento normalmente resultaria numa estrutura torcida ou curva, já que forças rotacionais aplicadas de forma contínua tendem a produzir deformação progressiva ao longo do eixo de crescimento de qualquer material biológico rígido.
O dente do narval, no entanto, atinge até três metros de comprimento mantendo uma retidão notável, contradição aparente que intrigava pesquisadores interessados em entender qual mecanismo interno impedia que a rotação se traduzisse em curvatura visível na presa.
Imagens 3D produzidas para examinar a estrutura interna do dente do narval revelaram que a dentina e o cemento, dois tecidos que compõem a presa, formam espirais em sentidos opostos entre si ao longo de todo o comprimento do dente.
Segundo o portal Phys.org , essa disposição em espirais opostas é o que permite às forças internas geradas por cada camada se anular parcialmente, resultado que impede a torção visível e mantém o crescimento geral do dente numa trajetória reta.
A estrutura interna revelada pelas imagens 3D reúne elementos específicos:
O equilíbrio entre as forças geradas pela dentina e pelo cemento em espirais opostas funciona de maneira semelhante a um sistema de tensões contrárias, no qual cada camada tende a torcer o dente numa direção, mas a presença simultânea da outra camada, girando no sentido inverso, neutraliza boa parte desse efeito.
Pesquisadores em biomecânica de tecidos duros, como os associados ao McGill University , descrevem esse tipo de arranjo estrutural como uma solução elegante encontrada pela natureza para permitir crescimento contínuo e assimétrico sem comprometer a integridade geométrica geral da estrutura final.
Entender como dois tecidos girando em sentidos opostos produzem uma estrutura reta e resistente interessa a pesquisadores de materiais biológicos, já que esse princípio pode inspirar soluções de engenharia voltadas a criar estruturas alongadas que precisam resistir a forças de torção sem perder retidão.
Esse tipo de aplicação prática, inspirada diretamente em soluções encontradas na natureza, reforça o valor de estudar estruturas biológicas incomuns como o dente do narval, mesmo quando o objetivo inicial da pesquisa era apenas entender a biologia própria do animal.
Apesar de revelar o mecanismo estrutural por trás da retidão do dente, pesquisadores ainda buscam entender detalhes específicos sobre como o organismo do narval regula precisamente a velocidade e a direção de crescimento de cada camada ao longo de décadas de vida do animal.
Essa investigação contínua sobre o crescimento do dente se soma a outras linhas de pesquisa sobre a biologia do narval, espécie que segue reservando aspectos estruturais surpreendentes mesmo depois de décadas de
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