O custo da promessa
Os candidatos à Presidência começaram a apresentar suas propostas para a economia, e o que se viu até aqui não parece muito promissor.
O ajuste fiscal — o esforço para evitar que o governo gaste continuamente mais do que arrecada — raramente ocupa o centro dos programas.
Quando aparece, vem embalado por ideias ainda vagas ou desarticuladas entre si.
Os números atuais mostram que esse deve ser um dos maiores problemas para o próximo presidente, considerando a evolução recente da dívida pública.
Mas o que diz o nosso histórico? Um levantamento feito pela coluna, com base em fontes oficiais e conversas com especialistas do mercado, mostra que promessa e resultado nem sempre caminham juntos.
Fernando Collor lançou os Planos Collor I e II, mas não entregou um ajuste sustentável.
Itamar Franco apresentou, em 1993, o Programa de Ação Imediata, que tinha como meta zerar o déficit operacional em 1994.
Fernando Henrique Cardoso , por sua vez, combinou o programa de estabilização com a Lei de Responsabilidade Fiscal e entregou superávits primários superiores a 3% do PIB entre 1999 e 2002 Ou seja, Collor não cumpriu; Itamar e FHC cumpriram. ( detalhes no quadro abaixo ).
No primeiro ciclo de governos Lula , de 2003 a 2010, houve superávits primários contínuos, embora a meta variasse ao longo dos anos; por isso, a classificação é de cumprimento.
Já Dilma Rousseff não cumpriu: a gestão terminou com déficits primários e com pareceres do Tribunal de Contas da União pela exclusão das contas de 2014 e 2015.
Michel Temer criou o teto de gastos, mas criar a regra não equivale, por si só, a entregar o ajuste prometido; pelas obrigações binárias, não cumpriu.
Jair Bolsonaro aprovou a reforma da Previdência, mas a pandemia alterou profundamente as contas públicas e não houve resultado fiscal integral que confirmasse a promessa de ajuste; também não cumpriu.
Neste terceiro mandato de Lula , boa parte dos apoiadores do petista reclama que o discurso de controle dos gastos ficou só no papel.
Nos últimos 12 meses até junho de 2026, o governo gastou R$ 157,2 bilhões a mais do que arrecadou — esse é o chamado déficit primário.
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