TAG Investimentos: o que levou a gestora de R$ 18 bilhões a desistir totalmente dos fundos multimercados?
O CIO da TAG, André Leite, diz que a decisão é tomada com pesar, mas é necessária em tempos de mudanças no mercado
A TAG Investimentos é mais um nome de peso a abandonar os fundos multimercados. A gestora de fortunas, que acumula 20 anos de estrada e tem um portfólio de R$ 18 bilhões, zerou a posição na categoria.
O movimento não é isolado e faz parte de uma tendência que tem mexido com esse modelo de fundos.
Os fundos multimercados ocuparam, por décadas, um lugar quase mítico no mercado financeiro. Em torno dos gestores se formou uma fama de "oráculo": profissionais capazes de antecipar juros, prever crises, navegar eleições e encontrar oportunidades lucrativas em qualquer cenário. Para os investidores, sempre foi como deixar parte do patrimônio cuidado por alguns dos cérebros mais respeitados da Faria Lima .
Mas de uns anos para cá, a maré virou. A categoria atravessa uma das piores fases da história com resgates bilionários, o encolhimento de gestoras tradicionais e até gigantes do mercado pulando do barco, como o caso da Gávea Investimentos, que encerrou a gestão nesse tipo de fundo .
Para a TAG, parte da decisão foi tomada pelo desempenho dos fundos ativos nos últimos anos.
Cabe destacar que, desde 2022, quando começou a crise na categoria, os saques já ultrapassam a cifra de R$ 672 bilhões.
Em estudo sobre a decisão, ao qual o Seu Dinheiro teve acesso, a gestora defende que a maior parte da indústria deixou de entregar justamente aquilo que transformou os multimercados em uma das classes mais admiradas: retornos acima do esperado.
Segundo o CIO André Leite, muitos fundos passaram a se comportar de forma parecida a combinações de bolsa , juros e câmbio , sem gerar um lucro que justificasse as taxas cobradas, que normalmente são de 2% de administração e 20% de performance.
Leite destaca que a nova visão sobre os multimercados é anunciada pela gestora com pesar. “Passei boa parte dos meus 30 anos no mercado financeiro justamente como gestor de renda fixa e multimercado. Cabe reconhecer que os tempos mudaram, logo devemos nós também considerar a mudança”, afirmou no estudo.
Nos últimos 12 meses, por exemplo, sete em cada 10 fundos multimercados não conseguiram superar o indicador da renda fixa . Claro que esse resultado também é reflexo dos juros maiores. Com a Selic a 14% ao ano como atualmente, a briga fica mais difícil para esses gestores.
Porém, mesmo em um horizonte de tempo maior, o cenário ainda é difícil para os fundos. Nos últimos quatro anos, apenas um terço dos fundos conseguiu entregar retornos acima do CDI.
Para dar uma colher de chá para os multimercados, é preciso destacar que, entre 2015 e 2026, o retorno da categoria ainda fica acima do CDI.
Enquanto o principal índice da indústria — o IHFA — entregou 203,2%, o CDI acumulou 191,4%.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.seudinheiro.com — o conteúdo pertence a Seu Dinheiro.