IA pode adicionar quase R$ 1 trilhão ao PIB brasileiro até 2030, diz estudo inédito
A inteligência artificial (IA) pode adicionar quase R$ 1 trilhão ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro nos próximos quatro anos, segundo um levantamento inédito do Reglab. O impacto, que deve ser de exatos R$ 986,7 bilhões, é equivalente a cerca de 7,6% do PIB estimado de 2026.
"O efeito projetado da IA equivale mais ou menos a uma safra recorde de grãos, só que todo ano, por quatro anos seguidos", diz Pedro Henrique Ramos , diretor-executivo do Reglab, em entrevista à EXAME . "Mas é um potencial que depende de infraestrutura, crédito e qualificação, não é uma previsão automática."
A comparação, segundo Ramos, faz mais sentido em ritmo de crescimento do que em valores absolutos: a IA adicionaria, em média, 0,69 ponto percentual ao ano ao PIB.
Como o mercado projeta o Brasil crescendo entre 1,5% e 2% ao ano no período, a tecnologia responderia por algo entre um quarto e um terço de todo o crescimento esperado — "um dos maiores vetores de crescimento do período, mas não o único nem isoladamente o maior", segundo o executivo.
O estudo aponta que a IA impactará o PIB brasileiro por dois canais. O primeiro é o do trabalho: segundo a pesquisa, a IA cognitiva — que inclui assistentes de linguagem, ferramentas de análise de dados, geradores de texto e código — eleva a produtividade de parcelas da força de trabalho, complementando funções em vez de substituí-las por completo.
Chamado de " efeito-trabalhador" , o fenômeno responde por 65% do impacto total projetado, o equivalente a 1,79 ponto percentual de crescimento acumulado em quatro anos.
O segundo canal é o do capital. A IA aplicada a equipamentos físicos — robótica, sensores, manufatura automatizada — torna cada unidade de capital mais produtiva, de acordo com a Reglab.
O " efeito-capital " responde pelos 35% restantes do impacto, ou 0,98 ponto percentual. Essa média nacional, porém, esconde variações grandes entre os 12 setores avaliados pelo estudo — de 99% de participação do trabalho, em administração pública, saúde e educação, a 93% de participação do capital, em atividades imobiliárias.
O capital pesa mais que o trabalho em cinco setores, de acordo com o estudo. São eles: atividades imobiliárias (93%), agropecuária (92%), construção (92%), indústria extrativa (81%) e energia, água e saneamento (64%).
"São setores onde a produção depende muito mais de máquinas e equipamentos e onde o trabalho é predominantemente manual", diz Ramos.
A proporção entre os dois efeitos varia muito conforme o setor.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em exame.com — o conteúdo pertence a Exame.