PF revela o que motivou pedido de apreensão do passaporte de Flávio Bolsonaro
A Polícia Federal (PF) apontou riscos “concretos e atuais” de fuga de Flávio Bolsonaro (PL) ao solicitar ao ministro Alexandre de Moraes , do Supremo Tribunal Federal (STF), a apreensão do passaporte do senador, derrotado nas eleições presidenciais, e a proibição de sua saída do país.
O pedido se baseia em três fatores: a declaração pública de Eduardo Bolsonaro incentivando o irmão a deixar o Brasil em caso de derrota, o expressivo poder econômico de Flávio e a existência de estruturas já estabelecidas no exterior que poderiam viabilizar sua permanência prolongada fora do país.
A solicitação integra um processo no qual Flávio Bolsonaro é investigado por sua relação com o advogado Willer Tomaz, em um suposto esquema envolvendo empresas ligadas a Tomaz e apostas esportivas.
Para a PF, o risco de fuga não constitui uma hipótese abstrata.
O documento descreve uma combinação de fatores que, na avaliação dos investigadores, tornaria concreta a possibilidade de Flávio deixar o Brasil sob a alegação de perseguição política.
Os três argumentos da Polícia Federal A Polícia Federal identificou três elementos centrais que, em conjunto, sustentariam o risco de fuga: O primeiro é a manifestação pública de Eduardo Bolsonaro, que defendeu que o irmão deixasse o país caso fosse derrotado nas eleições presidenciais.
O segundo é o expressivo poder econômico de Flávio Bolsonaro, que, segundo os investigadores, permitiria financiar sua saída e permanência no exterior.
O terceiro é a existência de estruturas já consolidadas fora do Brasil, capazes de viabilizar uma estadia prolongada.
O documento da PF reproduz um trecho da declaração de Eduardo: “Em entrevista concedida recentemente nos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro, irmão do Senador Flávio Bolsonaro, defendeu publicamente que este deixe o país caso não obtenha êxito no pleito eleitoral.” Os investigadores ressaltaram que a fala “não pode ser examinada de forma isolada”, relacionando-a à situação de Willer Tomaz, advogado investigado com Flávio em um inquérito sobre lavagem de dinheiro.
Tomaz está em Miami desde agosto de 2026, após ser alvo da Operação Sem Desconto.
Segundo a PF, o advogado “dispõe de recursos financeiros suficientes para permanecer indefinidamente no exterior, caso assim deseje”.
O pedido também menciona a condenação de Eduardo Bolsonaro pelo crime de coação no curso do processo.
PF investiga possíveis recursos destinados a Eduardo Bolsonaro nos EUA O documento também apresenta suspeitas sobre a origem dos recursos utilizados para manter a estrutura de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
A Polícia Federal investiga a possibilidade de que valores do ex-banqueiro Daniel Vorcaro tenham sido utilizados para custear a permanência do ex-deputado no país, onde vive desde fevereiro de 2025.
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