Ministro extremista de Israel faz propaganda política em local onde pretende enforcar palestinos condenados
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O ministro da Segurança Nacional de Israel , o extremista Itamar Ben-Gvir , publicou nesta quinta-feira (20) um vídeo em que faz um tour no local onde devem ser executados palestinos acusados de ataques terroristas letais, de acordo com legislação recentemente aprovada no país .
"É aqui que os terroristas serão executados. Teremos uma forca, salas para que as vítimas do crime possam vir e assistir, igualzinho nos Estados Unidos , aliás", diz Ben-Gvir nas imagens, parcialmente borradas para que o local não fosse identificado.
"Estamos cumprindo nossas promessas", prossegue o extremista, que tem longo histórico de falas racistas contra palestinos e árabes no geral. "Houve quem duvidasse, houve quem zombasse. Está aí. A obra começou." O vídeo tem formato de propaganda eleitoral, uma vez que Israel terá eleições gerais no dia 27 de outubro .
Em março deste ano, por iniciativa de Ben-Gvir, o Parlamento de Israel aprovou a pena de morte como sentença padrão para palestinos condenados por ataques letais . Na votação, o ministro usava um broche em formato de forca, numa referência clara ao método de execução.
A lei não diz explicitamente que o enforcamento só será aplicado contra palestinos. Entretanto, como ela só vale para casos julgados em tribunais militares e em ataques onde o motivo seja "negar a existência do Estado de Israel" , as chances de que extremistas judeus sejam enquadrados nela são praticamente nulas.
Além disso, nenhum cidadão israelense é julgado em tribunais militares na Cisjordânia . Mesmo colonos judeus vivendo em assentamentos ilegais no território palestino , sob ocupação de Israel desde 1967, são julgados pela lei civil israelense.
Já palestinos acusados de crimes relacionados à "segurança nacional" de Israel passam pelo crivo da lei militar daquele país. Esse fato é o cerne da acusação de entidades como a Anistia Internacional de que Israel comete o crime de apartheid na Cisjordânia .
Tel Aviv nega as acusações, dizendo que as diferenças de tratamento e direitos entre israelenses e palestinos se dão por preocupações legítimas de segurança e por uma questão de nacionalidade, não de raça —sem componente racial, não se pode falar em apartheid , de acordo com o direito internacional.
Os assentamentos, por sua vez, são ilegais perante o direito internacional porque a Convenção de Genebra proíbe um país que ocupa um território de transferir sua população para a região ocupada. Israel se defende dizendo não estimular ou financiar o movimento inicial de colonos que criam assentamentos na Cisjordânia —embora forneça proteção militar, incentivos fiscais, respaldo jurídico e infraestrutura após o estabelecimento de um.
Hoje, cerca de 500 mil judeus vivem em assentamentos na Cisjordânia, e 250 mil, em Jerusalém Oriental ocupada.
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