Flávio Bolsonaro entrega passaportes à PF e responderá a inquéritos sem foro especial
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrentará dois inquéritos criminais sem foro especial no Supremo Tribunal Federal a partir de fevereiro, após ser intimado pela Polícia Federal nesta segunda-feira (26) para entregar os seus passaportes e ficar proibido de deixar o Brasil por ordem do ministro Alexandre de Moraes.
O parlamentar é investigado sob suspeita de envolvimento em crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas. Com a derrota eleitoral e o encerramento de seu mandato no Senado no início do próximo ano, o político ficará sem cargo eletivo pela primeira vez desde 2002 e perderá a prerrogativa de foro por prerrogativa de função.
O primeiro inquérito apura o suposto repasse de verbas obtidas com o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para o financiamento do filme "Dark Horse". Segundo apuração do portal The Intercept Brasil, o congressista teria negociado a captação de ao menos US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 122,7 milhões) para a produção.
O candidato derrotado negou qualquer irregularidade no caso do longa-metragem. "O filme só tem recursos privados. Defendo transparência total sobre o assunto e não tem nada de errado em relação ao filme", afirmou o parlamentar.
A segunda investigação, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, apura a relação do senador com o advogado Willer Tomaz em suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo holdings no exterior, casas de apostas e empresas vinculadas. A Polícia Federal identificou mensagens e documentos no celular do jurista que indicam proximidade e acesso operacional do congressista a contas bancárias.
"Entre os registros localizados, constam referências a festas, encontros e reuniões envolvendo ambos, além de documentos de natureza pessoal vinculados a Flávio encontrados no iCloud de Willer", aponta trecho do relatório da Polícia Federal.
A assessoria do parlamentar rebateu as suspeitas reveladas em reportagem do jornal Folha de S.Paulo sobre custeio de viagens. "Associar essa afinidade pessoal a suposições de irregularidades é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos", declarou a equipe em nota.
A defesa do advogado também rechaçou irregularidades em comunicado oficial. "Todas as empresas e participações do advogado são lícitas, identificadas em registros públicos e informadas em sua declaração de Imposto de Renda. Não há sócios ocultos, contas não declaradas nem patrimônio escondido", informou a assessoria de Willer Tomaz.
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