Aumentos de taxa de juros nos EUA e Europa mudam preço dos ativos
Na semana passada o Banco Central do Brasil promoveu mais um corte na taxa Selic, o quinto seguido.
Em meio a sinais conflitantes, em que pesam de um lado a desancoragem das expectativas de inflação, estímulos fiscais, a demanda agregada e uma maior resiliência da inflação de serviços e do outro os indícios de desaceleração da atividade econômica doméstica e a possibilidade, também, de desaceleração da economia mundial, a autoridade monetária preferiu persistir em mais um corte de 0,25 ponto percentual.
Alguns alunos me procuraram para conversar sobre o corte de juros e demonstraram certa preocupação se este não teria tido como motivação a proximidade do pleito eleitoral.
Falei para eles que não tenho bola de cristal, mas que a mera dúvida deles emitia um sinal ruim sobre a credibilidade do Banco Central.
A condução da política monetária passa pela confiança da população na capacidade da autoridade monetária de entregar seu mandato, ou seja, uma taxa de inflação dentro do intervalo da meta.
Desconfiar de que outros fatores, principalmente de ordem política, possam estar interferindo no comportamento de seus diretores e na condução do processo põe em risco, no limite, o próprio modelo do Regime de Meta de Inflação (RMI).
Feito esse alerta, me permiti discordar de meus alunos.
Dados recentes divulgados sobre consumo das famílias, tem vindo, em termos relativos, mais fracos do que as estimativas dos analistas e, em termos absolutos, apontando para taxas decrescentes quando não negativas.
Este mosaico se completa com estímulo fiscal mais fraco - não há saco de bondades que não tenha fundo - e adicionalmente com o fato de termos atingido o menor nível de desemprego potencial, ou seja, provavelmente não veremos novos aumentos notáveis da massa salarial.
Apesar das expectativas persistirem desancoradas, em 4,92%, segundo o último relatório Focus publicado, contra o teto da meta de 4,50%, elas estão mais acomodadas do que ao final do primeiro semestre, apesar dos choques de oferta provocados pelo conflito entre EUA e Irã.
Os recordes seguidos tanto em número quanto em volume de recuperações judiciais e extrajudiciais também devem ter pesado na decisão do Banco Central.
As taxas de juros estão elevadas há bastante tempo, pressionando o custo de capital de terceiros.
A publicação de fatos relevantes e pedidos de recuperação denunciam que as empresas estão com grande endividamento e um serviço da dívida que torna a atividade empresarial quase impraticável, drenando o lucro dos acionistas.
Por tudo isso, me parece que a decisão da autoridade monetária tem justificativa e se sustenta.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em valorinveste.globo.com — o conteúdo pertence a Valor Investe.