O bilhete premiado de ONCO3? CVM julga oferta que pode pagar 10 vezes o preço atual da ação — mas só para alguns acionistas
O colegiado da CVM decide nesta terça-feira (25) se a Centaurus será obrigada a lançar uma OPA de mais de R$ 6 bilhões pela Oncoclínicas, que pode pagar até R$ 16 por ação — mais de dez vezes a cotação atual —, mas o prêmio pode ficar restrito a quem já era acionista em novembro de 2024
A Oncoclínicas (ONCO3) luta para colocar uma dívida de R$ 5,1 bilhões em ordem por meio de uma recuperação extrajudicial. Mas, nesta terça-feira (25), o número que deve chamar a atenção dos investidores é ainda maior — e não tem relação direta com o caixa da companhia.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) julga hoje se a norte-americana Centaurus Capital deve ser obrigada a realizar uma oferta pública de aquisição de ações (OPA) que pode custar mais de R$ 6 bilhões.
Se a autarquia entender que a oferta é obrigatória, o fundo poderá ter de pagar até R$ 16 por ação da rede de tratamentos oncológicos, dependendo dos critérios aplicados.
O valor é muito superior ao preço atual dos papéis na B3, na faixa dos R$ 1,50. Uma possível OPA implicaria em um prêmio de 966% em relação aos patamares atuais de preço, um " upside " de quase dez vezes.
Mas essa bolada não iria para a Oncoclínicas e tampouco ajudaria a empresa a pagar os credores. O dinheiro sairia do bolso da gestora Centaurus e seria destinado aos acionistas que tiverem direito de vender os papéis na eventual oferta.
Ou seja, além de decidir se a OPA deveria ter sido realizada, ainda será necessário determinar quais investidores poderiam participar dela. Mesmo assim, as ações da companhia têm disparado na bolsa com essa expectativa. Em um mês, o salto chega a quase 150% e só ontem (24) o avanço superou os 30%.
No centro da briga está uma cláusula do estatuto social da Oncoclínicas conhecida como poison pill . O mecanismo estabelece que o investidor que adquirir uma participação igual ou superior a 15% da companhia deverá apresentar uma oferta para comprar as ações dos demais acionistas.
A OPA deve considerar um prêmio de 120% sobre a maior cotação alcançada pela ação em determinado período, o que pode levar o valor da oferta para até R$ 16 por papel.
A discussão ganhou força em novembro de 2024, quando uma reorganização societária conduzida pelo Goldman Sachs fez a Centaurus aparecer diretamente como dona de 16,05% da Oncoclínicas. À primeira vista, o fundo havia ultrapassado o limite de 15% e, portanto, acionado a poison pill .
A situação ficou ainda mais complexa alguns meses depois, quando o Goldman vendeu a maior parte de sua participação na Oncoclínicas para a própria Centaurus. Com isso, o Josephina III , veículo ligado ao fundo norte-americano, passou a deter diretamente 31,83% do capital da companhia.
No entanto, Centaurus e o Goldman Sachs apresentam outra versão para a história. Segundo os dois, a gestora norte-americana já possuía uma participação superior a 15% na Oncoclínicas antes mesmo do IPO da empresa, realizado em 2021. Essa fatia estaria mantida indiretamente por meio de veículos administrados pelo Goldman, mas dos quais Centaurus já era investidor.
Por essa interpretação, a reorganização de novembro de 2024 não teria criado uma participação nova.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.seudinheiro.com — o conteúdo pertence a Seu Dinheiro.