59% dos tiroteios em Salvador ocorreram em dias letivos
Salvador registrou, entre 2023 e 2025, 3.748 disparos de armas de fogo, equivalente a 3,4 ocorrências por dia.
Além disso, 59% dos tiros (2.206) foram dados em dias letivos, e 40% ocorreram à luz do dia, prejudicando diretamente a mobilidade e a segurança da população, pois coincidiram com os momentos de entrada, saída e recreio dos estudantes.
Os dados foram divulgados pelo Instituto Fogo Cruzado e pela Iniciativa Negra Por Uma Nova Política Sobre Drogas, que lançaram, nesta quinta-feira (13/8), o relatório A Geografia da Exposição: Disparos de Arma de Fogo, Território e Escolas Afetadas em Salvador , que mapeia e analisa o impacto da violência armada nas escolas públicas da cidade soteropolitana entre 2023 e 2025.
Leia mais: Letalidade policial cresce, e negros são 86% das vítimas no país A diretora de dados e transparência do Instituto Fogo Cruzado, Maria Isabel Couto, disse a o Correio que as questões de segurança não estão dissociadas das questões educacionais.
Segundo ela, os dados revelam o impacto direto desse fenômeno na educação e, por isso, o debate sobre violência armada e insegurança não pode ser apenas no âmbito da segurança pública.
“Embora parte dos episódios de violência armada ocorra nos finais de semana ou durante a noite e a madrugada, há uma parcela significativa de casos que acontecem nos horários de circulação da comunidade escolar — momentos de entrada e saída — e com o próprio funcionamento das escolas.
Assim, torna-se imprescindível pensar em protocolos de proteção para a comunidade escolar, uma vez que os horários de funcionamento das instituições estão sendo impactados”, afirmou.
Leia também: Violência escolar: matéria em que o Brasil é reprovado De acordo com o levantamento, os disparos de arma de fogo durante o período letivo e à luz do dia refutam o senso comum de a violência ser mais intensa apenas nos períodos da noite e da madrugada.
Além disso, a pesquisa revela que quase 70% dos incidentes registrados em dias de aula derivam de intervenções policiais (37,4%) e de homicídios ou tentativas de homicídio (32%).
Para a diretora, as ações policiais, embora sejam importantes, representam uma decisão do Estado.
Ela acredita ser fundamental considerar que o Estado possui o dever de proteger a população e garantir o direito à educação, não podendo atuar como um obstáculo a esse direito.
“É essencial pensar em protocolos de ação policial que evitem os horários de funcionamento escolar.
Em casos de operações que precisem ocorrer em horário escolar, estas devem priorizar a proteção do entorno e do perímetro escolar, garantindo o direito de ir e vir das crianças.
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