Carnaval: Instituto CEU Estrela Guia realiza gira de umbanda na quadra dos Gaviões da Fiel
A quadra dos Gaviões da Fiel recebeu, na noite de sexta-feira (21), uma gira de umbanda conduzida pelo sacerdote Pai Denisson D’Angiles, com a participação de Mãe Kelly D’Angiles e dos integrantes do Instituto CEU Estrela Guia.
Convidado pela escola para participar do Carnaval, Pai Denisson comandou a cerimônia que abriu a programação de lançamento dos pilotos das fantasias do enredo “É Noite de Gira na Casa de Ogum”, dedicado ao orixá associado à coragem, à força, ao trabalho e à abertura de caminhos.
O evento reuniu componentes da escola, torcedores, sambistas e representantes de religiões de matriz africana.
Também participaram o intérprete Ernesto Teixeira e a tradicional bateria dos Gaviões da Fiel.
A escolha de Ogum como tema estabelece uma conexão entre espiritualidade e trajetória das escolas de samba.
Na umbanda, o orixá é associado à coragem, à força, ao trabalho e à abertura de caminhos, valores que dialogam com a história do Carnaval, construído por comunidades negras e periféricas e consolidado como uma das maiores manifestações populares do país.
Realizada na quadra da escola, a gira destacou a presença das tradições de matriz africana no samba e na cultura brasileira.
Em um contexto de episódios de intolerância religiosa, a iniciativa também reafirmou o direito à liberdade de crença e ao respeito entre diferentes tradições.
Na avaliação de Pai Denisson D’Angiles, sua presença no evento teve um significado especial: “Foi uma honra participar deste momento ao lado de Mãe Kelly e de parte dos componentes do Instituto CEU Estrela Guia.
O samba nos lembra que o mundo é plural.
A umbanda ensina respeito, acolhimento e sabedoria para caminhar com o outro, mesmo quando seguimos por caminhos diferentes.
Defender a liberdade religiosa e ser antirracista é defender a dignidade humana e reconhecer a ancestralidade que trabalhou para construir a cultura brasileira”, destacou ele.
A presença de Ogum no enredo também dialoga com a trajetória dos Gaviões da Fiel, marcada pela mobilização de sua comunidade.
Associado à luta e à superação de obstáculos, o orixá ganha no Carnaval uma dimensão simbólica ligada à persistência e à construção coletiva, segundo os organizadores.
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