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O Brasil tem o que precisa para conquistar a autossuficiência na saúde – por Giovanni Cerri

Futuro da Saúde ·
O Brasil tem o que precisa para conquistar a autossuficiência na saúde – por Giovanni Cerri

Integração entre universidades, hospitais, empresas e empreendedores pode acelerar o processo

O Brasil ainda é dependente de importações de tecnologias, medicamentos e insumos para a saúde. Esse cenário poderia ser diferente. Temos bons pesquisadores, profissionais qualificados, instituições de excelência e capacidade industrial para desenvolver soluções próprias, mais adequadas à realidade da nossa população e, consequentemente, mais acessíveis.

O desafio, portanto, não está apenas em produzir conhecimento, mas em criar condições para transformá-lo em soluções que cheguem efetivamente ao paciente. E não basta desenvolver tecnologias avançadas se elas não forem acessíveis às diferentes camadas da população. Por isso, a inovação precisa responder a duas perguntas: essa tecnologia funciona? E, mais importante, ela pode ser acessível e sustentável financeiramente?

Para viabilizar essa mudança, é preciso conectar pesquisadores, profissionais de saúde, empresas e empreendedores aos problemas reais da assistência. Nesse processo, os hospitais universitários ocupam uma posição estratégica. Eles reúnem assistência, pesquisa, formação profissional e conhecimento sobre as necessidades cotidianas do sistema de saúde. São, por isso, ambientes privilegiados para desenvolver, testar e validar novas tecnologias em condições reais de utilização.

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP vem avançando nessa direção por meio do InovaHC, que aproxima pesquisadores, startups, empresas e profissionais para desenvolver soluções voltadas aos desafios reais do sistema.

Esse movimento ganha uma nova dimensão em 2026, com o credenciamento do InovaHC como Unidade EMBRAPII em Saúde Digital, voltada ao desenvolvimento de inteligência artificial e softwares para aplicação médica. A iniciativa amplia a capacidade de transformar pesquisa aplicada em desenvolvimento tecnológico e permite utilizar a infraestrutura de dados clínicos do HCFMUSP para apoiar processos de desenvolvimento e validação de novas soluções.

Mais do que criar novas ferramentas, o objetivo é estabelecer um ambiente em que as tecnologias sejam desenvolvidas a partir da realidade hospitalar e aprimoradas antes de chegar ao mercado e, principalmente, ao paciente.

Para que esse modelo avance, cada elo do ecossistema tem um papel importante. A universidade produz conhecimento; o hospital identifica problemas e oferece condições para desenvolvimento e validação; o empreendedor transforma ideias em soluções; as empresas agregam capacidade tecnológica e escala; os investidores ajudam a viabilizar o crescimento; e o poder público cria as condições regulatórias e institucionais necessárias para que esse ecossistema funcione.

Esse trabalho coordenado é fundamental para que a pesquisa aplicada deixe de ser um ponto de chegada e passe a ser o início de um processo de inovação capaz de gerar impacto concreto na saúde.

Também precisamos superar a ideia de que incorporar tecnologia significa, necessariamente, aumentar os custos da saúde. Quando bem aplicada, ela pode ampliar o acesso, reduzir deslocamentos, otimizar processos e apoiar decisões clínicas.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em futurodasaude.com.br — o conteúdo pertence a Futuro da Saúde.

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