Assédio institucional na era digital: integridade pública começa antes da denúncia
A Administração Pública avançou na criação de códigos de ética, canais de denúncia, ouvidorias e programas de integridade.
Ainda assim, uma pergunta permanece: por que órgãos formalmente estruturados continuam incapazes de impedir que humilhações, discriminações, assédios e outras formas de violência se repitam no trabalho? Parte da resposta está no modo como o problema é enquadrado.
Quando toda violência é tratada apenas como desvio individual, a instituição tende a agir depois do fato: recebe a denúncia, apura e, quando cabível, sanciona.
Essa resposta é necessária, mas incompleta.
Há situações em que a repetição das condutas revela algo maior: relações de poder assimétricas, culturas permissivas, canais pouco confiáveis, medo de retaliação e ausência de mecanismos capazes de identificar riscos antes que se convertam em dano.
É nesse ponto que proponho compreender o assédio institucional .
Conheça o JOTA PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transparência e previsibilidade para empresas O conceito não pretende tornar assédio moral, assédio sexual, discriminação e outras violências categorias juridicamente equivalentes.
Cada uma possui pressupostos próprios.
O assédio institucional funciona como uma lente de governança : permite observar não apenas a conduta praticada, mas também o ambiente que a tornou possível, a resposta da organização e aquilo que poderia ter sido feito para preveni-la.
A pergunta deixa de ser apenas “quem praticou a violência?” e passa a incluir outra: “o que a instituição fez, ou deixou de fazer, diante dela?” .
Essa mudança desloca o assédio do campo exclusivamente interpessoal para o campo da integridade pública.
Quando a violência atravessa a tela A transformação digital tornou essa discussão ainda mais urgente.
As relações de trabalho passaram a ocupar e-mails, aplicativos de mensagens, grupos corporativos, reuniões virtuais, plataformas colaborativas e redes sociais.
A violência acompanhou esse deslocamento.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.jota.info — o conteúdo pertence a JOTA.