A crise do STF pela lente de quem cuida de reputações
No dia 6 de setembro, mais de uma semana antes de o julgamento sobre Alexandre de Moraes chegar ao plenário, o ministro Flávio Dino já sentia o cheiro de fumaça.
Foi ao seu perfil pessoal no Instagram, e não a uma nota oficial do STF ou a um porta-voz da Corte, lembrar a frase atribuída a Ésquilo, “na guerra, a primeira vítima é a verdade”, para alertar que problemas reais estavam sendo misturados a interesses eleitorais, econômicos e “até ódios pessoais”.
Terminou o post citando o Evangelho de São João sobre quem é “o pai da mentira”.
Passemos ao largo do mérito jurídico, que cabe aos advogados e não a quem passou a carreira observando como instituições atravessam crises de credibilidade.
O que me interessa aqui é outra coisa: como a mais alta Corte do país está se comunicando durante a maior crise de sua história recente.
E, sob a ótica de quem estuda gestão de crise reputacional há mais de duas décadas, a resposta é preocupante.
Conheça o JOTA PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transparência e previsibilidade para empresas Reputação não é a mesma coisa que imagem.
Imagem é o que se vê num instante: uma foto, uma frase, um gesto capturado por uma câmera, um post bem escrito.
Reputação é outra coisa, mais lenta e mais profunda.
Funciona como uma memória coletiva, formada aos poucos, revisada a cada nova crise e a cada nova decisão.
Uma opinião pode mudar da noite para o dia; uma reputação, não tão rápido assim.
Um tribunal supremo é, antes de qualquer outra coisa, uma instituição de poder.
E para esse tipo de instituição, essa memória coletiva não é um verniz decorativo: é a própria substância da autoridade que ela exerce.
Um tribunal não tem exército nem polícia própria, não tem como impor suas decisões pela força bruta.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.jota.info — o conteúdo pertence a JOTA.