Andar pela cidade pode proteger o cérebro contra o Alzheimer
Motoristas de táxi e ambulância nos EUA tiveram o menor risco de morte por Alzheimer entre 443 profissões analisadas em um estudo de 2024.
O dado chamou atenção porque esses profissionais passam boa parte do trabalho se orientando, calculando rotas e atualizando mapas mentais.
Para Hatim Sharif, professor de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade do Texas em San Antonio, em artigo no The Conversation , o resultado levanta uma possibilidade: o esforço constante para interpretar o espaço pode estimular áreas do cérebro ligadas à memória e à navegação.
Motoristas de táxi e ambulância tiveram o menor risco de morte por Alzheimer entre 443 profissões analisadas.
A navegação pode ser parte da explicação. – Imagem: Bjoern Wylezich/iStock O que há de especial na navegação? Os pesquisadores analisaram quase 9 milhões de certidões de óbito registradas nos EUA entre janeiro de 2020 e dezembro de 2022.
Depois de considerar idade, sexo, etnia e escolaridade, encontraram uma diferença: aproximadamente 1 em cada 100 motoristas de táxi e ambulância morreu de Alzheimer, contra 1 em cada 60 pessoas no conjunto analisado.
O mesmo não ocorreu com outras profissões ao volante.
Motoristas de ônibus e pilotos de avião não apresentaram vantagem semelhante.
A possível explicação está no tipo de atividade.
Táxis e ambulâncias exigem decisões de navegação em tempo real, enquanto outras ocupações seguem rotas fixas ou predeterminadas.
O hipocampo aparece no centro dessa discussão.
A região participa da memória e da orientação espacial e está entre as primeiras áreas afetadas pelo Alzheimer.
Dificuldades para encontrar caminhos podem surgir antes mesmo de problemas claros de memória.
Sharif conta que passou mais de duas décadas trabalhando com mapas digitais e sistemas de informação geográfica.
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