ASA corta alívio na Selic e vê juro a 13% até 2027 após reeleição de Lula
A gestora ASA, do banco Safra, recalculou o seu cenário macroeconômico nesta segunda-feira (26) e reduziu a expectativa de cortes para a taxa básica de juros (Selic).
A instituição projeta agora apenas mais uma redução de 0,25 ponto percentual na reunião do Copom de novembro, levando a taxa a encerrar 2026 em 13,5% ao ano.
Para a equipe econômica da casa, a confirmação da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afasta a perspectiva de um ajuste fiscal crível de curto prazo, o que deve manter as expectativas de inflação desancoradas e limitar a flexibilização conduzida pelo Banco Central.
Com isso, a projeção aponta que novos cortes só devem voltar a ocorrer em meados de 2027 (entre o segundo e o terceiro trimestres), quando a perda de tração da economia doméstica ficar mais evidente.
"De todo modo, a realidade imposta será de um juro neutro mais elevado, a com Selic encerrando 2027 em 13%", diz o ASA.
PIB estagnado em 2027 e risco de recessão Independentemente das medidas fiscais que venham a ser desenhadas pelo Planalto, a instituição projeta uma forte desaceleração da atividade econômica no próximo ano, em função da "ressaca" das medidas acionadas em 2026.
A estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2027 é de estabilidade (0%), com risco de recessão a depender do humor dos agentes econômicos.
Na inflação, a expectativa é de que o IPCA encerre 2026 em 5,1%, efeito do choque de petróleo e alta de alimentos.
Para 2027, o cenário inflacionário carrega uma sequência de desafios: Normalização do preço dos combustíveis (principalmente volta dos impostos federais); Absorção do impacto da aprovação do fim da escala 6x1; Efeitos do El Niño; Resistência do núcleo de serviços; Perspectiva de maior carga tributária sobre o consumo com o início da implementação da reforma tributária.
Dívida Bruta em patamar recorde Diante do menor crescimento do PIB, da permanência da Selic em patamar elevado e das dificuldades técnicas e políticas de fazer um ajuste mais rápido, o ASA calcula uma deterioração adicional da trajetória fiscal.
A estimativa para a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) alcança 88,5% do PIB em 2027, novo recorde histórico da série e acima do nível registrado durante o pico da pandemia de covid-19, em razão "das benesses prometidas e entregues em 2026", que devem impedir um resultado primário mais forte.
"Com o desenrolar dos anúncios da estrutura do novo Governo, ainda em formação, o principal canal para observarmos o comportamento das expectativas será o câmbio, que deve partir de uma forte desvalorização em 2026 e ficar em patamar mais elevado em 2027", diz a gestora.
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