“Oceanos recebem menos de 1% do financiamento climático”, diz enviada especial da COP30
A bióloga Marinez Scherer, Enviada Especial para o Oceano da COP30, defende que não existe discussão climática sem levar em conta os ecossistemas marinhos.
Em entrevista ao programa VEJA+Verde, ela explica por que os considera o principal aliado na luta contra o aquecimento global.
“O oceano é o principal regulador climático do planeta.
Sem um oceano saudável, não há clima saudável”, afirma.
Segundo a especialista, que é professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o oceano absorve mais de 90% do calor excedente gerado pela queima de combustíveis fósseis, além de grande parte do gás carbônico emitido pela humanidade — funções que sustentam o regime de chuvas, a agricultura e as economias de países costeiros e de regiões do interior.
Essa mesma capacidade de absorver calor e carbono, porém, tem cobrado um preço alto dos ecossistemas marinhos.
Marinez explica que a acidificação da água, provocada pelo excesso de CO2 absorvido, altera a biodiversidade e reduz a própria capacidade do oceano de regular o clima.
O aquecimento das águas está entre os principais responsáveis pelo branqueamento dos corais, que perdem as algas com as quais vivem em simbiose e, no longo prazo, morrem.
“O coral é a base da cadeia alimentar de muitas espécies importantes para a pesca.
Os estoques pesqueiros podem migrar para águas mais frias por causa do aquecimento — no Atlântico Sul, por exemplo, indo mais para o sul”, diz Scherer.
Prioridades para o mar Além dos recifes, a professora destaca a urgência de proteger manguezais e outros ecossistemas costeiros, que funcionam como barreiras naturais contra a subida do nível do mar e como importantes sumidouros de carbono.
O Brasil, segundo ela, tem grandes áreas de manguezais e legislação de proteção, mas ainda enfrenta degradação em diversos pontos.
Para reverter esse quadro, Marinez defende três frentes prioritárias: planejamento espacial marinho, para organizar e evitar conflitos entre as atividades que disputam espaço no mar; recuperação de ecossistemas degradados; e ampliação das áreas marinhas protegidas, que, segundo ela, já comprovam gerar benefícios econômicos e sociais em exemplos no Brasil e no mundo.
O maior obstáculo, no entanto, é o financiamento.
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