População em situação de rua no ES: por que é tão difícil sair e quais são as soluções?
Foto: Thiago Soares/Folha Vitória O crescimento da população em situação de rua no Espírito Santo aumenta a pressão sobre uma rede que envolve assistência social, saúde, acolhimento, qualificação profissional e políticas habitacionais.
O Estado tem equipamentos e serviços voltados para esse público, mas gestores, profissionais e entidades apontam que a estrutura ainda enfrenta dificuldades para acompanhar a complexidade e o tamanho da demanda.
Um informe técnico publicado pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, da Universidade Federal de Minas Gerais (OBPopRua/Polos-UFMG) em junho deste ano, com base nos dados do CadÚnico, apontou que 5.008 pessoas vivem nesta situação no Espírito Santo .
Isso coloca o Estado na 13ª posição entre as federações.
Na quinta reportagem da série “Desafios do ES” , que aprofunda cinco temas apontados pelos leitores como prioritários para o próximo governo do Estado , o Folha Vitória continua a mostrar o cenário da população em situação de rua no Espírito Santo, mas a pergunta passa a ser outra: quais são os gargalos da rede capixaba e o que pode ser feito para ampliar o atendimento? Seis equipes de Consultório na Rua Na área da saúde, segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o Espírito Santo conta atualmente com seis equipes de Consultório na Rua , que atuam em: Vitória Vila Velha Serra Cariacica São Mateus Cachoeiro de Itapemirim Linhares, Guarapari e Aracruz estão em processo de implantação de novas equipes.
De acordo com a pasta, essas equipes fazem atendimento itinerante e busca ativa, levando os serviços de saúde até os territórios onde essa população está.
O trabalho também envolve articulação com Unidades Básicas de Saúde, Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), serviços de urgência e emergência e outros pontos da rede.
Entretanto, a Sesa destaca que o atendimento não depende exclusivamente do Consultório na Rua.
A continuidade do cuidado exige integração entre diferentes serviços e níveis de governo.
A atualização da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da População em Situação de Rua, feita em junho de 2026, reforçou justamente a necessidade de ampliar o acesso, fortalecer a integração entre as equipes e garantir atendimento mesmo quando a pessoa não possui endereço fixo.
A enfermeira Adriana Gonçalves, que trabalhou em uma equipe de Consultório na Rua, afirma que o atendimento de saúde consegue alcançar pessoas que dificilmente procurariam espontaneamente uma unidade tradicional.
Entretanto, muitos problemas aparecem depois do atendimento.
Uma pessoa pode receber medicação, passar por consulta ou ser encaminhada para um tratamento, mas continuar sem um local adequado para morar e se recuperar.
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