Seca e assoreamento do Tapajós ameaçam escoamento de grãos pelo Arco Norte
A expansão do agronegócio brasileiro no Arco Norte criou uma dependência logística que agora começa a ser testada pelo clima.
O Rio Tapajós, principal corredor para levar soja e milho de Mato Grosso aos portos do Pará, entra no segundo semestre de 2026 sob o risco de redução do nível das águas e com uma disputa ainda sem solução sobre a realização de dragagens de manutenção em trechos considerados críticos para a navegação.
O alerta ganhou força diante da previsão de um El Niño forte a muito forte.
Os órgãos federais que monitoram o fenômeno projetam chuvas abaixo da média no Centro-Nnorte do país e temperaturas acima do normal nos próximos meses.
Para a Região Norte, o cenário combina menor precipitação e maior evaporação, o que pode reduzir a disponibilidade hídrica.
O problema é especialmente relevante para o agronegócio porque o Tapajós deixou de ser apenas uma alternativa logística e passou a concentrar uma parcela importante do escoamento da produção do Centro-Oeste.
Em 2025, a hidrovia movimentou 16,8 milhões de toneladas, alta de 14,3% em relação ao ano anterior.
Soja e milho responderam por 88,4% desse volume.
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A produção chega de caminhão pela BR-163 aos terminais de transbordo de Miritituba, em Itaituba (PA), onde é transferida para comboios de barcaças.
De lá, segue pelo Tapajós até instalações portuárias em Santarém e Barcarena, de onde os produtos são destinados ao mercado externo.
É uma configuração que ganhou espaço justamente porque reduz a dependência dos corredores do Sul e Sudeste.
Segundo estimativas a presentadas pelo setor produtivo, entre 5 milhões e 5,5 milhões de toneladas de grãos podem ter o escoamento comprometido caso os trechos críticos do Tapajós sofram restrições de calado durante a estiagem.
Custos adicionais A CNI (Confederação Nacional da Indústria) calcula que a transferência dessas cargas para rotas alternativas possa acrescentar pelo menos R$ 500 milhões aos custos logísticos.
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