O que 4 milhões de moedas revelam sobre o poder econômico da Roma Antiga, segundo estudo da USP
Um estudo conduzido por pesquisadores do Núcleo de Economia Regional e Urbana da USP (Nereus-USP) reinterpretou as bases do poder romano ao analisar vestígios de aproximadamente 4 milhões de moedas encontradas em escavações realizadas ao longo de dois séculos.
O trabalho, liderado pelo professor Eduardo Amaral Haddad (FEA-USP) em colaboração com Inácio Fernandes Araújo (Esalq-USP) e publicado na revista Humanities and Social Sciences Communications , do grupo Nature, combinou técnicas de economia regional, análise espacial e ciência de dados para mapear a circulação monetária da República Romana entre 155 a.C. e 2 d.C.
A conclusão central, segundo apuração da Agência FAPESP, é que a consolidação do domínio romano dependeu menos da conquista militar do que da progressiva integração econômica dos territórios incorporados.
Estudo da USP revoluciona compreensão da Roma Antiga Pesquisadores do Nereus-USP mapearam o fluxo financeiro da República Romana com foco no período de 155 a.C. a 2 d.C. , a partir dos vestígios de aproximadamente 4 milhões de moedas encontradas em escavações realizadas ao longo de dois séculos.
A principal conclusão do trabalho, segundo a Agência FAPESP, é que a consolidação do domínio romano dependeu menos da simples conquista militar do que da progressiva integração econômica dos territórios incorporados.
O artigo foi publicado na revista Humanities and Social Sciences Communications , do grupo Nature, conferindo visibilidade internacional à pesquisa brasileira.
O estudo foi liderado por Eduardo Amaral Haddad, professor da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA-USP), em colaboração com Inácio Fernandes Araújo, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), conforme apuração da Agência FAPESP.
A pesquisa contesta uma narrativa historicamente dominante: a de que o poder romano se sustentava, acima de tudo, pela força das legiões.
O que os dados mostram é que o dinheiro circulando entre regiões conquistadas cumpria uma função estrutural que a espada, sozinha, não conseguia garantir.
A ciência de dados na arqueologia Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores combinaram técnicas de economia regional, análise espacial, sistemas de informação geográfica e grandes bases internacionais de dados arqueológicos.
A abordagem representa uma ruptura com o método tradicional de estudo da História Antiga, que se baseava principalmente na interpretação de textos clássicos e no exame individual de inscrições e vestígios.
Ao integrar milhões de registros dispersos por meio de métodos quantitativos, o estudo abre uma nova fronteira para a pesquisa histórica, tratando a arqueologia como uma disciplina capaz de operar em escala de dados comparável à de outras ciências.
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