O Brasil vai dar calote na dívida pública? Entenda se o governo pode deixar de pagar os títulos do Tesouro Direto
O risco fiscal que há anos paira sobre os ativos brasileiros volta aos holofotes com o debate eleitoral.
O mercado defende que será inevitável fazer um ajuste das contas públicas nos próximos anos, independentemente de quem ganhe, e tende a se animar quando surgem sinais de que o atual governo pode não se reeleger.
No meio de tudo isso, o investidor do Tesouro Direto pode se deparar com um desconforto: afinal, devo preocupar com um possível calote do governo brasileiro? Levar calote é a principal preocupação de quem investe em renda fixa , e em um cenário de Selic elevada por tempo prolongado, tem sido particularmente justificada.
Afinal, muitas empresas que tinham títulos de crédito no mercado, inclusive na carteira de pessoas físicas, andaram quebrando por aí.
Mas e o governo, que também está pagando juros elevados e está superendividado, também pode dar calote nos títulos públicos ? As discussões sobre déficit, gastos públicos e crescimento da dívida alimentam cada vez mais essa preocupação.
A boa notícia é que nenhum agente financeiro, entre economistas, gestores, assessores de investimentos e afins, acredita que o governo deixará de pagar suas dívidas.
A má notícia é que o perigo apontado pelos especialistas é mais sutil.
Em vez de acordar um belo dia e descobrir que o Tesouro não pagará seus títulos, você deve receber o dinheiro normalmente, mas com um poder de compra muito menor do que quando aplicou.
Em outras palavras: o risco não é de não receber.
É de o pagamento que você receber valer menos.
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Pago quando puder Quando se fala em crise fiscal e dívida insustentável, a maior parte das pessoas associa este cenário a uma empresa quebrada: a companhia informa que não consegue pagar suas dívidas, entra com recuperação judicial e deixa os investidores na mão.
Eles podem até vir a receber alguma coisa lá na frente, mas normalmente com atraso e um belo de um desconto.
A perda de uma parte do investimento é inevitável.
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