Ibovespa futuro abre em baixa leve após maior tombo desde 2020; dólar avança levemente
O Ibovespa futuro abriu em baixa leve nesta terça-feira (27), corrigindo os exageros após o maior tombo desde 2020, depois da surpreendente virada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), o favorito da maior parte dos investidores. Já o dólar abriu em alta leve, após o maior salto desde 1999.
O Ibovespa futuro abriu com baixa de 0,13%, aos 178.000 pontos, às 9h O dólar comercial abriu com alta de 0,18%, a R$ 5,41, no mesmo horá
Contudo, é esperada maior turbulência nos próximos dias, até o governo Lula começar a assumir compromissos com a consolidação fiscal, segundo gestores e analistas. O mercado está muito atento à apresentação de compensações críveis para os compromissos assumidos na campanha, à definição da equipe econômica, à dinâmica de governança em relação à liderança do Congresso e às mudanças no orçamento de 2027.
Sob a ótica dos investidores, Flávio seria capaz de, enfim, interromper o ritmo de alta da dívida federal, apesar dele falar em medidas que dificultavam a adoção de um ajuste fiscal mais duro. A saída de Lula representaria um horizonte de menor risco fiscal e inflação e juros menores. Assim, a continuidade de Lula no poder representa o contrário para os investidores: maior risco fiscal e inflação e juros maiores.
"O controle das despesas, a trajetória da dívida e a credibilidade das metas fiscais serão determinantes para a confiança dos agentes econômicos. A possibilidade de uma proposta de emenda constitucional para ampliar o contingenciamento de recursos e buscar o centro da meta fiscal poderá sinalizar a disposição do governo em responder às preocupações dos investidores", afirma Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora.
"Além da agenda econômica, a composição da equipe ministerial e a escolha dos nomes para as principais posições econômicas serão acompanhados pelo mercado perto. A capacidade de diálogo com um Congresso mais inclinado à direita será relevante também para a governabilidade", diz.
Os investidores acompanham agora as discussões da formação do próximo governo. Lula tem o desafio de acomodar aliados que não foram eleitos, mas tiveram papel importante na atual gestão, além de contemplar lideranças que foram estratégicas no fim da campanha. Com um Congresso mais conservador, deverá negociar com partidos de centro para assegurar governabilidade, segundo o Valor.
O mercado monitora os nomes cotados para o Ministério da Fazenda. O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), é um deles. Ele teve atuação destacada na mobilização em favor de Lula, é visto com trânsito na área econômica e como técnico, mas sua ida para o governo esbarraria na dificuldade de deixar o comando do Estado.
Já o vice Geraldo Alckmin, que acumulou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, deverá ter seu papel redefinido. Entre as possibilidades está o fortalecimento de sua atuação como interlocutor com os investidores, o que pode levá-lo para a Fazenda.
Ainda hoje, o mercado deve acompanhar a entrevista do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sobre o Relatório de Estabilidade Financeira.
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