Mercado deve corrigir exageros e monitora nomes cotados para assumir a Fazenda
É provável que o mercado corriga os exageros nesta terça-feira (27), após o Ibovespa registrar a maior desabada desde 2020, perto de 14%, após a surpreendente virada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), o favorito da maior parte dos investidores.
O EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado em Nova York, recuava levemente no começo do dia.
O EWZ recuava somente 0,32%, aos US$ 34, por volta das 7h30.
Contudo, é esperada maior turbulência nos próximos dias, até o governo Lula começar a assumir compromissos com a consolidação fiscal, segundo gestores e analistas.
O mercado estará muito atento à apresentação de compensações críveis para os compromissos assumidos na campanha, à definição da equipe econômica, à dinâmica de governança em relação à liderança do Congresso e às mudanças no orçamento de 2027.
Sob a ótica dos investidores, Flávio seria capaz de, enfim, interromper o ritmo de alta da dívida federal, apesar dele falar em medidas que dificultavam a adoção de um ajuste fiscal mais duro.
A saída de Lula representaria um horizonte de menor risco fiscal e inflação e juros menores.
Assim, a continuidade de Lula no poder representa o contrário para os investidores: maior risco fiscal e inflação e juros maiores.
"O controle das despesas, a trajetória da dívida e a credibilidade das metas fiscais serão determinantes para a confiança dos agentes econômicos.
A possibilidade de uma proposta de emenda constitucional para ampliar o contingenciamento de recursos e buscar o centro da meta fiscal poderá sinalizar a disposição do governo em responder às preocupações dos investidores", afirma Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora.
"Além da agenda econômica, a composição da equipe ministerial e a escolha dos nomes para as principais posições econômicas serão acompanhados pelo mercado perto.
A capacidade de diálogo com um Congresso mais inclinado à direita será relevante também para a governabilidade", diz.
Os investidores acompanham agora as discussões da formação do próximo governo.
Lula tem o desafio de acomodar aliados que não foram eleitos, mas tiveram papel importante na atual gestão, além de contemplar lideranças que foram estratégicas no fim da campanha.
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