O menino cresceu
Não bastassem os desafios sociais e econômicos, as provações climáticas também não dão nem darão descanso às atuais e às próximas gerações.
Entre elas, poucas são tão familiares e presentes quanto El Niño, nome dado por pescadores do norte do Peru, em alusão ao Menino Jesus, à quente corrente oceânica que aparecia no Pacífico logo depois do Natal.
O apelido chegou à ciência em 1892, num relato do capitão de navio Camilo Carrillo à Sociedade Geográfica de Lima (Peru).
Esse conhecimento poderia estar apenas em uma nota mirrada num livro de geografia, mas o fenômeno só cresce em relevância e impacto — e cá estamos.
Já vimos secas históricas na Amazônia, com a água do lago Tefé chegando a quase 40 °C (e matando peixes e botos aos montes), e enchentes devastadoras no Sul (em que o “pequeno” foi um coadjuvante de peso).
Essas cenas escancaram o quanto nossas cidades estão despreparadas para conviver com ele.
E “conviver” realmente é a palavra a ser incorporada à nossa rotina.
Adaptar-se ao que já está aí é o caminho, ao mesmo tempo que se trabalha para frear emissões de gases do efeito estufa.
A reportagem de capa desta edição discute esse tema e outras nuances, como a busca por maneiras de tornar a cidade mais segura.
O infográfico que acompanha a matéria disseca o mecanismo do fenômeno, seus efeitos globais e a série histórica das últimas décadas.
Na sequência, em entrevista a Ricardo Balthazar, a arquiteta Denise Duarte , da FAU-USP, demonstra como o risco climático é o retrato da desigualdade e enumera os absurdos que se acumulam: pontos de ônibus cobertos de vidro, sem sombra; torres comerciais que precisam ser evacuadas se falta energia, porque a fachada é toda envidraçada e as janelas, seladas; apartamentos novos projetados como caixas de vidro, com varanda falsa e área reservada para a condensadora do ar-condicionado.
“Nunca vi plantas tão ruins como agora”, diz ela.
Da insegurança climática à habitacional: reportagem sobre aluguel social mostra que a política existe em São Paulo desde 2002, tem bons índices de acesso e permanência, mas ainda não ganhou escala.
Há ainda a insegurança dos dados: reportagem sobre a criptografia totalmente homomórfica acompanha a corrida para que um servidor processe informações cifradas sem enxergá-las, algo já possível na prática, embora ainda muito mais lento que o processamento comum.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistapesquisa.fapesp.br — o conteúdo pertence a Pesquisa FAPESP.