Da indústria à defesa: os sete desafios ao legado de Ursula von der Leyen
Quando Ursula von der Leyen chegou à presidência da Comissão Europeia, em 2019, a prioridade era tornar a União Europeia (UE) mais verde.
Volvidos sete anos, que incluíram uma pandemia global, um conflito às portas da Europa e uma nova guerra comercial, a principal preocupação passou a ser como impedir a economia europeia de ficar para trás .
É entre estas duas versões da UE – a que queria liderar a transição climática e a que agora tenta recuperar competitividade num mundo cada vez mais protecionista – que se tem vindo a desenhar o legado de von der Leyen, cujo segundo (e provavelmente último) mandato termina em 2029.
Apesar de ainda ter três anos para consolidar o que terão sido os seus anos à frente da Comissão, os desafios continuam a acumular-se, tais como a concorrência dos EUA e da China e as eleições em países como França, Itália, Espanha e Polónia cujos resultados arriscam alterar o equilíbrio político no seio da União Europeia.
Não obstante, a líder do Executivo comunitário transformou Bruxelas num ator económico mais intervencionista , mobilizou recursos comuns para responder a crises e colocou a autonomia estratégica no centro do debate.
Permanece, ainda assim, uma dúvida: a ambição europeia está a ser acompanhada pela capacidade de executar? O que Bruxelas quer na habitação e Portugal ainda não tem Ler Mais O diagnóstico foi traçado, essencialmente, nos relatórios independentes encomendados pela própria Comissão a dois antigos primeiros-ministros italianos, nomeadamente Enrico Letta e Mario Draghi (também ex-presidente do Banco Central Europeu).
Neles, concluiu-se que a produtividade está estagnada, o mercado interno continua fragmentado, há um défice de investimento e as empresas europeias têm dificuldade em ganhar escala.
A estimativa de Draghi é de que a UE precisa de mobilizar mais 800 mil milhões de euros de investimento por ano para inverter a trajetória de baixo crescimento e produtividade e evitar um maior afastamento face a Washington e a Pequim.
Uma vez identificados os problemas, a segunda Comissão de von der Leyen transformou os relatórios – em particular o de Draghi – nos principais guias da nova agenda de Bruxelas , apresentando uma série de estratégias em áreas que vão da competitividade, indústria limpa e inteligência artificial (IA) à defesa e à segurança económica.
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia European Union , 2026 1.
Competitividade A competitividade é, provavelmente, o maior teste ao legado da atual presidente do Executivo comunitário .
Em janeiro do ano passado, anunciou a “Bússola para a Competitividade”, roteiro em que 90% das principais iniciativas foram inspiradas, segundo a própria, nas recomendações consideradas prioritárias por Draghi.
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