Insónia crónica: estudo identifica assinatura de genes-relógio associada à doença
Um estudo liderado por investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC) identificou alterações na expressão de pelo menos três “genes-relógio” associadas à insónia crónica.
Os resultados, publicados na revista Translational Psychiatry, reforçam a relação entre a perturbação do sono e a desregulação do ritmo circadiano e poderão contribuir, no futuro, para uma abordagem mais objetiva do diagnóstico.
A insónia é a perturbação do sono mais prevalente a nível mundial.
Em Portugal, estima-se que cerca de 10% da população possa apresentar insónia crónica.
Apesar da elevada prevalência e do impacto na qualidade de vida e saúde, o diagnóstico continua a assentar essencialmente na avaliação clínica, não existindo atualmente um biomarcador biológico validado para a doença.
Foi neste contexto que a equipa estudou os chamados “genes-relógio”, que participam na regulação do ritmo circadiano — o sistema biológico responsável pela organização temporal de processos como o sono e a vigília, a temperatura corporal e a secreção hormonal.
Associação entre genes-relógio e parâmetros do sono Os investigadores encontraram alterações na expressão de pelo menos três destes genes em pessoas com insónia crónica.
Estas alterações estiveram associadas a parâmetros fisiológicos relacionados com o funcionamento do relógio biológico, incluindo os níveis de cortisol e melatonina e a temperatura corporal.
“Perceber o perfil dos ‘genes-relógio’ nas pessoas com insónia, e que esse perfil pode ser um biomarcador para diagnosticar a insónia de forma mais objetiva, foi um dos grandes passos dados com este estudo”, afirma Ana Rita Álvaro, investigadora coordenadora do artigo e do subgrupo Ritmos Biológicos e Sono no Envelhecimento e Doenças Associadas do CNC-UC.
O estudo identificou diferenças particularmente relevantes nos participantes com sono de curta duração, definido como menos de seis horas.
Este subtipo, associado a maior gravidade da insónia, apresentou alterações mais marcadas na atividade dos genes estudados.
Nestes participantes foram também observadas temperaturas corporais mais elevadas durante a noite e níveis noturnos de cortisol superiores, alterações que sugerem maior desregulação dos ritmos circadianos.
Os dados obtidos através de actigrafia — técnica que permite monitorizar padrões de atividade e repouso através de um dispositivo semelhante a uma pulseira — mostraram igualmente uma associação entre a gravidade da insónia e a intensidade das alterações dos sinais circadianos.
“Confirmámos que quanto mais grave é a insónia nestes pacientes, mais alterados são os sinais de ritmo circadiano medidos por actigrafia”, sublinha Ana Rita Álvaro.
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