Mota-Engil ganha contrato para ferrovia no Congo
A Mota-Engil está prestes a assinar um contrato de concessão de 30 anos com a República Democrática do Congo para reabilitar e operar uma linha ferroviária do Corredor do Lobito, num projeto que poderá contar com até mil milhões de dólares (cerca de 850 milhões de euros) de financiamento norte-americano, avança a Bloomberg .
O contrato prevê a reabilitação e gestão do troço congolês do Corredor do Lobito , num projeto concebido como uma parceria público-privada (PPP) e que constitui uma infraestrutura estratégica para aumentar as exportações de minerais críticos para os mercados ocidentais.
A linha ferroviária , com cerca de mil quilómetros , atravessa importantes zonas mineiras do país, incluindo Kolwezi, Tenke e Lubumbashi.
Nigéria e Peru reforçam carteira da Mota em 685 milhões Ler Mais O acordo entre o Governo congolês e a construtora portuguesa deverá ser assinado esta quarta-feira , em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo.
O projeto na República Democrática do Congo poderá beneficiar de apoio financeiro dos Estados Unidos.
Em dezembro, a US International Development Finance Corporation (DFC) anunciou ter assinado uma carta de interesse com a Mota-Engil para um financiamento de até mil milhões de dólares destinado a apoiar a reparação e operação da linha ferroviária congolesa.
O interesse de Washington no projeto está relacionado com a importância estratégica dos recursos minerais do país africano.
A República Democrática do Congo é o segundo maior produtor mundial de cobre e o maior produtor de cobalto , dois minerais considerados críticos para várias indústrias, incluindo a produção de baterias.
A administração de Donald Trump tem procurado reforçar o acesso norte-americano a minerais críticos e reduzir a dependência dos Estados Unidos em relação à China .
Em dezembro, Washington e Kinshasa concluíram uma parceria que prevê, entre outros pontos, acesso preferencial de investidores norte-americanos a alguns depósitos de minerais congoleses.
Mota recupera ferrovia no Congo usada para transportar cobre Ler Mais A Bloomberg lembra que a Mota-Engil já integra um consórcio que opera uma li nha ferroviária de ligação na vizinha Angola , que se estende até à costa do Oceano Atlântico, permitindo a ligação ao corredor do Lobito.
Atualmente, empresas chinesas como a CMOC Group e a Zijin Mining têm uma posição dominante na produção de cobre e cobalto da República Democrática do Congo.
O Corredor do Lobito é visto como uma alternativa estratégica às rotas controladas ou influenciadas pela China para escoar os minerais produzidos no centro de África.
Existe também um projeto para ligar a Zâmbia, segundo maior produtor de cobre de África, ao corredor ferroviário que termina no porto do Lobito.
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