Anne Carson e a audácia de pôr em diálogo tradição clássica e literatura contemporânea
Foi a varrer o chão da cozinha e a “ouvir o vento” na sua casa na Islândia que a chamada do Comité Nobel a anunciar-lhe que vencera o prémio da Literatura apanhou Anne Carson.
A escritora canadiana foi distinguida “pela sua obra ousada e inventiva que, num diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea”, anunciou ontem Ingrid Carlberg, secretária permanente da Academia Sueca.
“Ao longo de toda a sua carreira, Anne Carson conciliou a escrita de poesia com o trabalho de tradução e o ensino em várias universidades.
Quase toda a sua produção literária se tem centrado no cruzamento entre a obsessão do filólogo pelas palavras e o desejo do poeta de encontrar novos significados.
A própria autora identificou a etimologia das palavras como o ponto de partida de toda a sua obra”, destacou ainda a academia.
Dando os parabéns a Anne Carson por “uma conquista extraordinária e um momento de orgulho para o Canadá”, o primeiro-ministro Mark Carney reagiu ao Nobel no X.
E lembrou que “com humor, imaginação e um estilo totalmente próprio, a poetisa canadiana Anne Carson reinterpretou os clássicos.
Ela levou histórias antigas a novos públicos e transformou a forma como pensamos sobre a literatura.” With wit, imagination, and a style entirely her own, Canadian poet Anne Carson has reimagined the classics.
She has brought ancient stories to new audiences and transformed the way we think about literature.
Congratulations on winning the Nobel Prize in Literature, Anne.
An extraordinary achievement and a proud moment for Canada. — Mark Carney (@MarkJCarney) October 8, 2026 “Orgulho” foi também o sentimento destacado pela Encarregada de Negócios a.i. da embaixada do Canadá em Lisboa.
“Os canadianos ficam sempre encantados e orgulhosos ao ver as conquistas dos seus concidadãos reconhecidas a nível internacional, especialmente pelo prestigiado Comité do Prémio Nobel.
Como terceira laureada com o Prémio Nobel da Literatura nascida no Canadá, Anne Carson continua a destacar a força e a criatividade dos escritores canadianos, em todos os géneros e ao longo de várias décadas”, disse ao DN Lisa Rice Madan.
Antes de Carson, o principal prémio de Literatura mundial já distinguira dois nascidos no Canadá: Alice Munro, em 2013, e antes, em 1976, Saul Bellow, nascido em Lachine, na província do Quebeque, mas criado nos EUA e com nacionalidade também americana.
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