Lula precisa apontar corte de gasto com urgência, diz Solange Srour, do UBS
O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisa sinalizar rapidamente uma mudança na trajetória dos gastos públicos para evitar que a piora das expectativas econômicas pressione o dólar, a inflação e os juros, além de prejudicar o crescimento do país. A avaliação é de Solange Srour, diretora de macroeconomia para Brasil do UBS GWM.
Em entrevista ao UOL, a economista defende que Lula aproveite a composição atual do Congresso, antes da posse dos novos parlamentares, para apresentar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que contenha o avanço das despesas. Na avaliação dela, apenas tornar mais rígidas as regras do arcabouço fiscal, conjunto de normas que limita o crescimento dos gastos públicos, não será suficiente.
Ele conseguiu fazer a PEC da transição, mas ali era para gastar. Agora vai ter que ser para cortar. Solange Srour, diretora de macroeconomia para Brasil do UBS GWM
Solange afirma que despesas aprovadas durante o atual governo e medidas recentes terão impacto sobre as contas públicas em 2027 e nos anos seguintes. Por isso, considera necessário que o próprio presidente lidere uma sinalização de mudança, acompanhada da indicação dos nomes da equipe econômica que conduzirão o processo.
Sem essa iniciativa, a economista vê risco de crescimento acelerado da dívida pública e de uma reação negativa dos mercados. A pressão sobre o dólar e os juros de longo prazo poderia elevar a inflação e reduzir as perspectivas de crescimento.
A urgência é máxima, eu diria, na sinalização para o mercado. Solange Srour, diretora de macroeconomia para Brasil do UBS GWM
Para ela, a questão fiscal também será determinante para a política monetária e a governabilidade no próximo mandato. Caso o governo não enfrente o problema, Solange considera possível que o Banco Central precise voltar a elevar os juros para conter a pressão sobre o câmbio e a inflação, enquanto a atividade econômica sofreria com condições financeiras mais restritivas.
Nenhuma pauta hoje é mais importante do que essa. Solange Srour, diretora de macroeconomia para Brasil do UBS GWM
O desafio será enfrentado em um ambiente internacional menos favorável, segundo a economista. A inflação elevada nos Estados Unidos, o petróleo caro e a pressão sobre os juros globais reduzem a possibilidade de o cenário externo ajudar a economia brasileira, como ocorreu em outros períodos dos governos Lula.
Solange rejeita a ideia de que um Congresso mais à direita funcionará automaticamente como contrapeso à expansão dos gastos. Para ela, deputados e senadores também têm incentivos políticos para apoiar novas despesas, enquanto a responsabilidade pelos efeitos econômicos negativos recai principalmente sobre o Executivo.
O Congresso não vai barrar porque o Congresso gosta de participar. Deputados e senadores também acabam colhendo os frutos do populismo. Solange Srour, diretora de macroeconomia para Brasil do UBS GWM
Sem uma crise econômica, ela não espera que o Legislativo assuma espontaneamente o papel de defensor do equilíbrio fiscal.
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