Até os gênios da Faria Lima desistiram? Por que a crise dos multimercados não é o fim da indústria
Os fundos multimercados atravessam uma das piores fases de sua história recente.
Gestoras tradicionais encolheram, outras venderam parte da operação e até a Gávea, fundada por Armínio Fraga , decidiu encerrar sua gestão dessa categoria de ativos .
Afinal, acabou a era dos grandes gestores de multimercados? Para Lais Costa , analista da Empiricus e convidada do podcast Touros e Ursos desta semana, a resposta é não.
Costa afirma que a indústria está sob pressão, mas o movimento reflete muito mais um ambiente econômico excepcionalmente adverso do que uma falência do modelo de gestão ativa.
Atualmente, apenas 19,7% dos multimercados conseguiram superar o retorno de referência (CDI) em 2026, segundo levantamento citado por ela.
Ainda assim, a especialista avalia que declarar o fim da categoria seria precipitado.
"Sem querer dourar a pílula, mas trazendo um contra-argumento, acho que a gente teve um desalinhamento do investidor tentando buscar bater o CDI com a mesma gordura de retorno de quando os juros estavam menores", afirmou.
Segundo Costa, os juros reais elevados estão comprimindo a economia e dificultando praticamente qualquer estratégia de investimento.
Ao mesmo tempo, a renda fixa oferece retornos tão altos que o investidor exige dos gestores um prêmio cada vez maior para justificar o risco.
Saída dos multimercados Na avaliação da analista, parte da frustração dos investidores vem da forma como os fundos são avaliados.
Ela afirma que muitos cotistas tomam decisões olhando apenas para os retornos mais recentes, ignorando o horizonte longo do investimento.
Para Costa, o investidor deveria analisar a consistência dos resultados em períodos de três a cinco anos e observar aspectos qualitativos, como a estabilidade da equipe, a estratégia utilizada e a sustentabilidade da gestora.
A analista defende a consistência de resultados acima do benchmark em períodos, não mês a mês.
"Essa é a experiência média do cotista.
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