A nova travessia marítima de 24 km que usa ilhas artificiais e uma ponte preparada para enfrentar tufões extremos
Complexo chinês combina pontes, túnel submarino e ilhas artificiais para atravessar uma das regiões marítimas mais exigentes de Guangdong
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR No estuário do Rio das Pérolas, no sul da China, uma sequência de pontes, ilhas construídas pelo homem e um túnel submarino passou a ligar Shenzhen a Zhongshan. A Shenzhen-Zhongshan Link chama atenção não apenas pelos 24 quilômetros do trecho principal, mas pelas soluções usadas para enfrentar vento, maresia, correntes marítimas e tráfego intenso sem depender da ideia simplista de um “aço que se dobra” durante os tufões.
Inaugurada para o tráfego em 30 de junho de 2024, a ligação foi construída no coração da Grande Área da Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. Em vez de erguer uma única ponte gigantesca, os engenheiros combinaram aproximadamente 17 quilômetros de pontes com um sistema de túnel submarino de cerca de 6,8 quilômetros.
Essa configuração permitiu manter importantes rotas de navegação abertas no estuário. O trecho inclui a grande ponte suspensa sobre o canal Lingdingyang, outra ponte principal, segmentos elevados, duas ilhas artificiais e a passagem submersa, formando um complexo de engenharia muito mais sofisticado do que uma ponte convencional.
Navios de grande porte precisam atravessar os canais próximos à região de Shenzhen, enquanto o aeroporto internacional da cidade também impõe restrições à altura das estruturas. A solução foi alternar diferentes tipos de construção conforme as condições de cada trecho.
O vídeo da CGTN mostra a Shenzhen-Zhongshan Link pronta e permite visualizar justamente essa combinação de pontes, túnel e ilhas artificiais que tornou possível atravessar o estuário sem utilizar uma única estrutura contínua sobre a água.
A região do Delta do Rio das Pérolas está exposta a tufões e rajadas muito fortes. Por isso, a resistência aerodinâmica da ponte principal foi submetida a ensaios específicos. O valor frequentemente divulgado de 83,7 metros por segundo, equivalente a aproximadamente 301 km/h, não significa que veículos possam circular normalmente sob esse vento.
Esse número corresponde à velocidade de verificação de flutter , fenômeno aerodinâmico capaz de produzir oscilações perigosas em pontes de grande vão. Um estudo técnico sobre a durabilidade da Shenzhen-Zhongshan Link informa velocidade básica de vento de 43 m/s e velocidade de verificação de flutter de 83,7 m/s para a estrutura de controle.
Não exatamente. Dizer que a obra utiliza simplesmente um “aço flexível” capaz de balançar com supertufões reduz demais um projeto estrutural complexo. Pontes suspensas de grande vão possuem alguma capacidade de deformação e movimento, mas sua estabilidade depende da geometria do tabuleiro, dos cabos, das torres, da rigidez estrutural e do comportamento aerodinâmico do conjunto.
O vão principal da ponte sobre Lingdingyang chega a 1.666 metros. Os cabos utilizam fios de aço de alta resistência, enquanto grandes segmentos do tabuleiro empregam vigas-caixão de aço.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.