Oi: como o sonho da 'supertele' terminou em falência
"A Oi vai ser uma grande tele nacional." A frase, dita com entusiasmo pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva em julho de 2010, resumia a ambição de transformar a empresa em uma gigante brasileira de telecomunicações. A ideia era criar uma companhia nacional forte o suficiente para disputar espaço com as grandes operadoras estrangeiras.
O contraste com a realidade atual é brutal. Ontem (25), o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decretou novamente a falência da Oi. No lugar do projeto de uma grande operadora nacional, restam uma empresa desmontada pela venda de seus principais ativos, mais de uma década de disputas com credores e uma complexa transição para manter serviços considerados essenciais.
A história da Oi começou em 1998, com a privatização do sistema Telebras e a criação da Telemar. A empresa cresceu nos anos seguintes e, em 2009, passou a usar a marca Oi após a incorporação da Brasil Telecom.
Um dos momentos decisivos ocorreu em 2008, quando o governo alterou a legislação para permitir a aquisição da Brasil Telecom pela Oi. A operação era vista como parte do esforço para criar uma grande empresa brasileira de telecomunicações, capaz de competir em escala com as multinacionais que dominavam o setor.
O projeto ganhou uma nova dimensão em 2010, quando a Portugal Telecom entrou no capital da Oi. A associação, porém, acabou trazendo novos problemas para uma companhia que já carregava um elevado endividamento.
Em 2014, veio à tona a exposição da Portugal Telecom à dívida da Rioforte, empresa do grupo Espírito Santo. A Oi acabou arcando com um impacto de cerca de € 897 milhões, em mais um golpe sobre as finanças da operadora.
Pressionada por uma dívida de cerca de R$ 65 bilhões, a Oi entrou com seu primeiro pedido de recuperação judicial em junho de 2016. Na época, era a maior recuperação judicial da história do país . O processo envolvia dezenas de milhares de credores e colocava em xeque a sobrevivência de uma das maiores empresas brasileiras de telecomunicações.
A saída encontrada passou pela venda de boa parte dos ativos da companhia. A operação de telefonia móvel, uma das principais unidades da Oi, foi colocada à venda para ajudar a pagar credores e reorganizar a empresa.
Em dezembro de 2020, a Oi Móvel foi arrematada por R$ 16,5 bilhões. A operação se deu em um leilão vencido por um consórcio formado por Claro, TIM e Vivo.
As três maiores concorrentes dividiram a operação para evitar uma concentração ainda maior no mercado de telefonia móvel. A TIM ficou com a maior fatia, seguida por Claro e Vivo, em uma divisão que levou em conta a presença das empresas em diferentes regiões do país.
A operação redesenhou o mercado brasileiro de telefonia móvel. Os clientes da Oi foram distribuídos entre as três concorrentes, e a empresa deixou de atuar nesse segmento.
A venda, contudo, ainda enfrentou problemas depois de aprovada.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.