Dívidas das famílias com problema de pagamento atingem maior nível desde 2012, diz BC
A parcela das dívidas das famílias com problema de pagamento atingiu o maior nível desde 2012, segundo o Relatório de Estabilidade Financeira (REF) do Banco Central (BC).
Os chamados ativos problemáticos são créditos com atraso superior a 90 dias ou com indícios de que não serão pagos integralmente.
Eles representavam 9,2% da carteira de crédito às pessoas físicas em junho de 2026.
Pouco antes, o indicador havia chegado a 9,3%, o pico da série.
Em 2021, no ponto mais baixo, estava em 6,3%.
A piora atingiu todas as modalidades no primeiro semestre.
Em quatro delas, o indicador alcançou o maior patamar da série: cartão de crédito (chegou a 13,2% e fechou junho em 12,7%), crédito rural (10,3%), veículos (8,5%) e consignado (5,0%).
No crédito pessoal não consignado, a taxa é de 14,9%, a mais alta entre as linhas, mas ainda abaixo do pico de 16,5% registrado em 2016.
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Desde janeiro de 2025, a Resolução 4.966 do Conselho Monetário Nacional (CMN) deixou a cargo dos bancos a decisão sobre quando dar uma dívida como perdida.
Com isso, as operações em atraso passaram a ficar mais tempo nos balanços, o que eleva os indicadores.
O BC estima que, sem essa mudança, a inadimplência do sistema financeiro seria 0,78 ponto percentual menor em junho, o equivalente a cerca de 45% da alta registrada desde dezembro de 2024.
O relatório ressalta, porém, que a inadimplência teria subido mesmo com as regras antigas.
O pano de fundo é o aperto no orçamento das famílias.
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