Laura Cardoso me convidou para um café e ensinou que 'uma hora é tchau e pronto'
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Era uma tarde gelada de agosto, em 2023, quando me preparava para fazer uma visita a Laura Cardoso , no que seria uma das últimas entrevistas da atriz , morta nesta segunda-feira (17) aos 98 anos . A conversa estava marcada para acontecer em seu apartamento em Perdizes, na zona oeste da capital paulista.
Prestes a perturbar o sossego daquela nonagenária, grande senhora das novelas brasileiras, recebi a mensagem de sua assessoria de imprensa informando que Cardoso teve uma infecção urinária. Claro que podemos reduzir o tempo da entrevista, respondi à sua equipe.
Ela acabou conversando por 23 minutos, até que se exauriu. "Estou cansada e não quero falar mais", disse, sorrindo, fazendo este repórter, o fotógrafo que me acompanhava, uma de suas filhas e a assessora de imprensa darem risada.
Por maior que fosse aquela figura, uma das grandes dramas da dramaturgia brasileira, era bobagem sentir receio em sua presença. Cardoso pode até ter se cansado antes do tempo combinado, mas não deixou de me oferecer um cafezinho antes de partir.
No dia daquela entrevista, fui recebido por sua filha, Fátima, que me explicou que a atriz já estava se recuperando da infecção, mas que por isso precisaríamos fazer tudo de maneira agilizada. Decidimos começar pelos retratos fotográficos que acompanhariam a reportagem.
Plano traçado, Cardoso nos convidou para entrar, sentada em seu sofá. Tinha escolhido uma blusa de gola rolê, uma calça de tecido mole, confortável, e meias grossas. "Hoje estou meio ruim por causa do tempo. Detesto frio. Gosto é do calor", disse.
Quando o fotógrafo montou os equipamentos, ela se levantou e, bem devagar, sentou num pufe sem encosto. Que perigo, pensei, quando a vi tão miúda, agarrando os próprios joelhos e se balançando para trás para fazer poses diferentes para o ensaio. O fotógrafo pedia para ela sorrir, dar risada, mas nem precisava de tanta orientação —ela sabia bem como lidar com a câmera. Eram velhas amigas.
Seu apartamento, antigo, não tinha nada do luxo extravagante que se espera de uma grande estrela da TV. Ali, Cardoso passava seus dias num imóvel que não era imenso, mas onde cabiam diversos porta-retratos e vasos.
No sofá marrom, Cardoso começou a falar. Contou que aos 96 anos já não tinha costume de traçar grandes planos, e que vinha levando um dia de cada vez. Sua prioridade, afirmou, era curtir a família.
Via bastante TV, embora já não acompanhasse as novelas. Disse que gostava mesmo era daquelas do seu tempo, e que a tecnologia tinha deixado tudo mais sem graça. "Tudo que é técnico é frio. Gosto mais do normal, do natural", disse.
Enquanto conversávamos sobre sua carreira na TV, um momento de tensão. À época, atrizes de todas as idades, mas especialmente as mais velhas, passaram a reclamar da normalização de assédio nos bastidores da TV . Questionada, Cardoso afirmou que já havia sofrido uma agressão quando mais jovem.
"Sempre, sempre e sempre. Faz parte", disse. Mas não pôde explicar sobre o que falava exatamente, interrompida pela equipe que acompanhava a conversa.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.