Para ser completa, delação de Mansur precisa incluir Toffoli
O escândalo do Master é o suprassumo da bandalheira brasileira. Mas essa coisa nossa está prestes a ganhar um enredo de Cosa Nostra . A delação de João Carlos Mansur, se formalizada, marcará o rompimento da parceria criminosa que o chefão da falecida corretora Reag mantinha com Daniel Vorcaro, o mafioso que tinha um banco. Seria como o rompimento da omertà — o pacto de silêncio da máfia italiana.
Inicialmente, Mansur e Vorcaro idealizaram uma delação conjunta. O criminalista José Luis de Oliveira Lima advogava para ambos. A parceria desandou quando a PGR e a PF rejeitaram três propostas de colaboração do dono do Master. Mansur passou a se preocupar com o próprio pescoço. Evoluiu de cúmplice a traidor num instante em que Vorcaro tenta emplacar a quarta proposta de delação.
Na corrida entre delatores, a colaboração de Mansur será mais lucrativa se o operador de fundos iluminar os caminhos que levam ao dinheiro roubado e escondido por Vorcaro. Mas a colaboração será incompleta se não incluir Dias Toffoli.
Chamava-se Arleen o fundo de investimentos que comprou cotas da empresa de Toffoli num resort paranaense. O fundo era gerido pela Reag, a corretora de Mansur. E tinha como titular Fabiano Zettel, cunhado e operador de Vorcaro. Delação é como gravidez: uma mulher não pode estar um pouquinho grávida, como ninguém pode ser delator pela metade. Sem Toffoli, Mansur será meio delator.
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