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Depressão atípica: por que ela pode passar despercebida

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Quando se fala em depressão , é comum imaginar uma pessoa constantemente triste, isolada, sem vontade de sair da cama, com dificuldade para dormir e pouco apetite.

Embora esses sintomas possam estar presentes em um episódio depressivo, eles não se manifestam necessariamente da mesma forma em todas as pessoas.

Algumas pessoas podem dormir mais, apresentar aumento do apetite e até perceber melhora do humor diante de acontecimentos positivos.

Essas características podem estar presentes na chamada depressão com características atípicas .

“A depressão é uma doença marcada por uma heterogeneidade sintomática considerável.

Duas pessoas com um quadro depressivo podem apresentar sintomas bastante diferentes”, explica Ângela Scippa, professora titular e chefe do Departamento de Neurologia e Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Bahia (UFBA), coordenadora do Centro de Estudos de Transtornos de Humor e Ansiedade (CETHA-UFBA) e membro da Academia de Medicina da Bahia.

Durante o Congress on Brain, Behavior and Emotions 2026 , realizado em junho, em Porto Alegre (RS), a especialista apresentou o painel “Qual a importância de diferenciar depressões típicas de atípicas?”.

Entre as apresentações clínicas mais estudadas estão a depressão melancólica, historicamente associada à ideia de depressão “típica”, e a depressão com características atípicas.

Quais são as diferenças? Na depressão melancólica , o humor tende a permanecer deprimido mesmo diante de situações agradáveis, e a perda da capacidade de sentir prazer costuma ser acentuada.

Também podem ocorrer redução do apetite, despertar precoce e lentificação dos movimentos e do pensamento.

Na depressão com características atípicas , uma das características centrais é a reatividade do humor: acontecimentos positivos podem provocar uma melhora, ainda que temporária.

Também podem ocorrer sono excessivo, aumento do apetite, sensação de peso nos braços ou pernas, conhecida como “paralisia de chumbo”, e maior sensibilidade à rejeição interpessoal.

Segundo a especialista, a depressão melancólica ocorre em aproximadamente 25% a 30% dos episódios depressivos em contextos clínicos especializados, com maior representação em quadros de maior gravidade, pacientes hospitalizados e populações de meia-idade e idosas.

A diferenciação entre as apresentações faz parte da avaliação clínica.

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