Dark Horse: a conta que Flávio quer fechar sem prestar contas
Flávio Bolsonaro diz que “Dark Horse” é página virada.
As contas, porém, continuam abertas.
Em uma coletiva no Mercado Municipal de São Miguel Paulista, o senador e candidato à Presidência afirmou que a prestação de contas do filme “já aconteceu”.
Não detalhou quanto foi efetivamente gasto, quem financiou a produção, por onde os recursos circularam nem quais documentos sustentariam sua afirmação.
Limitou-se a dizer que um material teria vazado de um processo e que estaria tudo em ordem.
A afirmação contrasta com um compromisso assumido pelo próprio candidato.
Em 19 de maio, diante da repercussão sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e os recursos destinados à produção sobre a trajetória política do pai, Flávio havia anunciado que a produtora apresentaria um relatório detalhando as despesas e a destinação dos valores.
O prazo terminou em 18 de junho.
Mais de dois meses depois, esse detalhamento não veio.
Em seu lugar, Flávio tomou como suficiente um material que já constava de outro processo e que não responde integralmente às perguntas que deram origem à cobrança.
O ponto central está aí: sua declaração procura tratar como encerrada uma apuração que os elementos apresentados ainda não permitem esclarecer por completo.
Trata-se de uma perícia privada, contratada pela defesa da produtora, que aponta custo de aproximadamente R$ 75 milhões — R$ 20,9 milhões gastos no Brasil e o restante nos Estados Unidos.
O laudo atribui a origem dos recursos analisados ao Havengate Development Fund, veículo americano administrado por um advogado ligado a Eduardo Bolsonaro, e sustenta que os valores examinados têm natureza privada.
O ponto decisivo está no que a perícia não esclarece.
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