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Saiba como funciona o teste de integridade da urna eletrônica

Poder360 ·
Saiba como funciona o teste de integridade da urna eletrônica

Procedimento público cruza cédulas de papel gravadas à mão com o resultado do sistema eletrônico para comprovar que nenhum voto é alterado

Uma das etapas mais rigorosas de checagem do sistema eleitoral brasileiro ocorre sob os olhos atentos de auditores, partidos políticos e entidades fiscalizadoras. Trata-se do teste de integridade, desenhado pela Justiça Eleitoral para demonstrar que o voto depositado na urna eletrônica é exatamente aquele computado no resultado.

Utilizado desde 2002, o mecanismo atua como um verdadeiro espelho de auditabilidade.

Normatizado pelas resoluções 23.673 de 2021 e 23.758 de 2026, ambas do Tribunal Superior Eleitoral, o procedimento compara, voto a voto, as escolhas gravadas previamente com o relatório final impresso pelo equipamento auditado. Na prática, a verificação atesta se as urnas estão funcionando corretamente e se a contagem foi precisa, garantindo a exatidão dos resultados e a ausência de qualquer interferência no processo.

A engrenagem do teste de integridade entra em movimento ainda na véspera do pleito. Em cerimônia pública, representantes da Justiça Eleitoral, ao lado de fiscais partidários, órgãos de controle e entidades da sociedade civil escolhem as seções que passarão pela auditoria. O que faltar para completar o quantitativo de seções previsto em resolução será selecionado por meio do sorteio.

Trata-se de equipamentos que já estavam devidamente preparados, carregados com a lista de eleitores e lacrados para funcionar em seções eleitorais comuns.

Logo após o sorteio, essas urnas são recolhidas e transportadas sob escolta até os locais definidos pelos TREs (Tribunais Regionais Eleitorais) –ambientes abertos ao público e equipados com câmeras de vídeo. A partir daí, a auditoria coloca o equipamento em um teste real de estresse, digitando votos conhecidos em papel para checar se a máquina registra precisamente as escolhas efetuadas.

Paralelamente ao recolhimento dos equipamentos, voluntários e representantes de partidos, federações e coligações preenchem cédulas de papel com votos em candidatos reais de diversas legendas e cargos em disputa. Todo esse conjunto de cédulas físicas é depositado em urnas de lona trancadas, cujo conteúdo permanece em segredo até o momento da digitação.

No dia da eleição, simultaneamente ao horário em que milhões de brasileiros votam nas seções oficiais, tem início a votação simulada no ambiente de teste. Entre 8h e 17h, servidores e auditores retiram uma a uma as cédulas de papel das urnas de lona, leem o voto em voz alta diante das câmeras e o digitam no teclado do terminal sorteado.

Todo o processo é gravado em áudio e vídeo e acompanhado por auditores independentes. Às 17h, ao encerramento da votação, a urna eletrônica sorteada emite o seu Boletim de Urna. É nesse momento que ocorre o batimento decisivo: o somatório de votos apurados pelas cédulas em papel é confrontado com o relatório eletrônico expedido pela máquina.

“Esses testes em laboratório são realizados desde 2002, em todos os Estados do país, no 1º e 2º turnos. Nunca foi registrado nenhum resultado diferente daquilo que foi inserido na urna eletrônica.

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